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BASTIDORES DA POLÍTICA DE CAMPO MAIOR: WELLINGTON SENA PODE PERDER A PRESIDÊNCIA DA CÂMARA?

Fotos crédito: Redes Sociais A política de Campo Maior começa a esquentar — e as conversas de bastidores já apontam para uma possível mudanç...

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

O ÚLTIMO DIA DO ANO - SÉRGIO EMILIANO

Último dia do ano.
 
São seis horas da manhã e ouço a Ave Maria que vem do alto da torre da igreja. A rua não acordou pois o leiteiro não passou gritando e nem os  feirantes arrastam chinelos conversando rumo ao mercado. No fundo, eu esperava que fosse um dia diferente , que não fosse tempo de lua cheia que ainda brilha num céu sem sol.
 
Sinto uma tristeza quando ouço os primeiros sons que vem da cozinha enquanto a mamãe faz o café. É como se a calma desse último dia, provasse uma dor enquanto vai sendo quebrada. O som característico do fogão sendo ligado...tríiiiiiiiisssss. A água da torneira vai caindo na pia de inox e se mistura com o café frio de ontem desemborcando no rego ainda seco, invadindo assim, as raízes do pé de limão já extremamente úmidas.
 
Deitado, vou tentando decifrar todos os sons. O chacoalhar dos talheres sendo jogados na mesa, o pires se separando da xícara, o barulho da cuscuzeira fervendo deixando subir a fumaça quente com cheiro de
milho. Aporta da geladeira se fecha e sei com absoluta certeza que de lá saiu a manteiga, o queijo duro e um melão daqueles bem doce.
 
Último dia do ano que não amanheceu chovendo como ontem. Caiu uma chuva tão fina, que não se conseguia ouvir ela batendo no telhado, nem escorregando pela calha de zinco.
 
Ainda sem querer levantar, sou asfixiado pelo cheiro do café e pulo da rede. Abro o freezer e retiro uma banda de leitão. Será descongelado e temperado para o almoço do dia primeiro. São as crendices que nos
contaminam e fazemos de conta que acreditamos piamente. Ainda bem que temos romãs maduras no quintal. Já pensou?
 
A televisão foi ligada e exibe uma reportagem sobre a queima de fogos no réveillon do Rio. A mesma coisa do ano passado: as balsas, o chuvisco eterno durante a noite e turistas embasbacados com a beleza
de Copacabana.
 
Por aqui,  logo mais à noite, consegui reunir uns trinta amigos. Beberemos, torceremos uns pelos outros, tocará um dance sofisticado e a gula será saciada. São ritos, são repetições em que não abro mão, pois me faz sentir vivo.
 
Zero o calendário gregoriano, zero as contas...2012 já será passado e como tal, deverá ser esquecido. Passou, vamos atrás de novas emoções e eu estou de peito aberto esperando por elas.
 
Feliz ano novo para todos.

sábado, 8 de dezembro de 2012

SALVE-SE QUEM PUDER - POR SÉRGIO EMILIANO

Os guerreiros de Campo Maior já foram mortos com balas de canhão e agora morrem novamente com a cidade que agoniza. É a história se repetindo. A tradução de “descaso” se revela com o que ocorre por aqui.
 
É o fim de um governo que nunca começou e que vai embora pela porta dos fundos deixando salários atrasados, lixo nos quatro cantos e desgoverno. É o nosso presente de natal, que nesse ano vem sem as luzes, sem decoração pelas praças e monumentos.
 
Falta dinheiro, o comércio definha e a tradição natalina vira apenas uma data no calendário. Nas lojas, cada uma ostenta em suas entradas uma enorme caixa de som tocando forró o dia inteiro.Não se respeita os ouvidos dos clientes, não se respeita escolas, e para completar, vários carros com propaganda fazem poluição sonora livres de multas, cobertos de razão.
 
No fim de ano veremos uma carreata rumo ao litoral fugindo da falta de atrações por aqui.Não teremos bandas na praça, comeremos o mesmo cardápio e beberemos para esquecer de todos os males imaginando um deserto recheado de diversão.
 
Nas churrascarias, televisores ficam sintonizados nas novelas ou em som de bandas de forró.Somos atendidos por garçons arrogantes, comida ruim e roubo nas contas.Até o gosto da carne de sol já não é o mesmo. Que venha o tambaqui.
 
Enquanto isso, somos assediados por viciados em crack implorando por cinco reais.Antes eram dois reais.Bons tempos aqueles...
 
A polícia já não dá conta dos homicídios, dos assaltos e roubos.
 
A ambulância do SAMU vive eternamente suja de sangue pois não têm tempo de lavar. É mais uma batida de motos que acontece e que nem ligamos mais.São os acidentes que se banalizam diante dos nossos olhos. Os guardas de trânsito sumiram, do mesmo modo que o dinheiro dos seus contracheques. 

Salve-se quem puder. Como não ter receio de uma situação assim? Eu observo a cidade, moro nela desde que nasci, tenho o pleno direito de protestar, de querer o seu melhor. Eu exijo que ela melhore, vire um espaço de vergonha para se viver.
 
 E o que dizer da situação do açude? Em sua lenta agonia, a poluição jogada pelos seus vizinhos mais próximos mostra a sua revolta. Ainda bem que eles são os primeiros a sofrer com a podridão que exala. Os que aterraram o açude fazendo os seus “puxadinhos” que o digam. O cheiro de merda e urina chega primeiro nas narinas deles e dos donos de bares e churrascarias. É a maldição do gigante que agoniza junto com a cidade.

No lixão, mais uma família se instala por lá e tem como cúmplice, a alegria dos urubus que sobrevoam os telhados empoeirados do Renascer.

Demos mais uma oportunidade ao Paulo Martins esperando um governo sério e justo, pois a cidade já não suporta tantos descasos. Espero que ele tenha aprendido o que é uma cidade ser abandonada, jogada a sua própria sorte. Chega de concessões, basta de negociatas, vamos salvar Campo Maior.
 
Sergio Emiliano.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Onde estão os presentes de dezembro?

Muito antes da decoração natalina eles já ganharam os comerciais na televisão, já estão nas prateleiras e vitrines das lojas.Sobre eles, olhos de consumo, de cobiça e a felicidade de saber que é fim de ano outra vez.
 
Comprar é mágico e os corredores dos shoppings são como campos de rosas que não ousam mostrar seus espinhos. Nesses ambientes refrigerados, tudo cheira a perfeição: é a beleza das luzes, a alegria das crianças querendo beijar o Papai Noel, os dedos digitando senhas e até o corre-corre de última hora vira um programão.
 
De todos os lados vem um cheiro de chocolate, pipoca e pizza. As pessoas flutuam, acham que todos merecem presentes e assim, serão felizes para sempre. Uma ala inteira de uma UTI deveria ser montada na praça de alimentação de um shopping. Antes do Natal eles estariam curados, ávidos por viver e secar uma torre de chopp com fritas.
 
Ai daqueles que não viveram histórias de cartões estourados, brigas com o marido por causa da fatura e compras desnecessárias. Besteira! Faz parte da festa, faz parte da gastança, amém!
 
As vendedoras das lojas não têm rosto, cor e sexo.São só sorrisos, um enorme sorriso.-Crédito ou débito? Já é nosso cliente? Aceita um cafezinho? Podemos dar um bom desconto à vista. São perguntas que parecem vindas de um sanguessuga, o símbolo da capitalismo. Sem pena, sem dó, sem alma... Mas o mundo na época do natal vira um absurdo.Somos abduzidos pela magia da troca de presentes, pela comida farta, pelo rito de passagem, pelo ciclo que se fecha, pela união das pessoas e nunca pela religiosidade, que vira só mais um detalhe.
 
A ordem que encaram como natural é comprar. Consumir, deixar seus bolsos vazios e assim preencher suas almas aflitas. Resta o consolo de fazer a economia fluir, de gerar empregos temporários e enriquecer a indústria chinesa.
 
Sergio Emiliano.

domingo, 26 de agosto de 2012

SÉRGIO EMILIANO

                                                    VEM AÍ AS ELEIÇÕES

          Temos várias espécies de políticos. Assim como as plantas, assim como os animais ditos “irracionais”. Flanam pelas ruas como zumbis atrás de votos, mostrando seus caninos encharcados de promessas. Há os que mentem descaradamente e os que nada prometem, pois aprenderam que os eleitores já não são os mesmos. Uns bajulam os candidatos a prefeito, comem e bebem de graça, sorriem de piadas sem graça e imitam papagaios e carrapatos. Outros querem folga do trabalho e outros têm uma ficha criminal “cagadíssima”. E o que dizer dos que são analfabetos funcionais?

          Nas fotos dos “santinhos” deixam o photoshop correr solto. Os que querem se reeleger vivem numa corda bamba com medo de serem julgados nas urnas. Muitos pulam mais do que pipoca em panela quente. Vão aonde o dinheiro vai. São os piores... Também temos aqueles que têm certeza das suas derrotas e mesmo assim, sempre se candidatam como forma de valorizar suas pobres vidas, ricas em insignificância.
 
       O engraçado ou trágico (como queiram), é que entendemos tanto desses políticos, pensamos que votamos certos e sempre erramos outra vez.  Parece um jogo de gato e rato, onde os ratos sempre saem ganhando.

          Vem aí o 7 de outubro com suas falcatruas, com o lucro dos postos de gasolina, com os saques nos bancos. Daqui, quase que já vejo, as urnas chegando e os mesários sendo convocados. Nessa miríade, não temos opções entre candidatos, fica uma democracia subdesenvolvida, uma eleiçãozinha de merda, com mais conchavos do que qualquer outra coisa.
 
          Toda época de eleição eu sempre repito: “Chega! Não voto mais.” Mas fico com remorso, analiso que ainda estamos aprendendo e fico com pena de anular o meu voto. Eleitor é eleitor. Não tem jeito! Só nos resta esperar por um milagre, seguir  acreditando que tudo poderá dar certo para as futuras gerações. É assim que vejo as eleições em nossa cidade, porque a esta altura, quem conhece de política partidária já se acostumou e quem não, entrega para Deus.

Sergio Emiliano.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

ELEIÇÕES, ELEIÇÕES... Sérgio Emiliano

Já comecei a receber os primeiros “santinhos” dos candidatos a vereador. 


É, a eleição já chegou outra vez. A cidade se transforma num show de fofocas, intrigas e promessas. Mesmo assim, não deixo por nada desse mundo de enfrentar uma fila e ir lá, naquela urna, digitar o meu voto. Depois, uma cervejinha com os amigos no fundo de um bar, escondido da polícia.

Aquele tempo de comícios monstruosos, com artistas e bandas de forró acabaram.Agora não precisa separar os documentos na véspera de votar. Basta uma identidade e pronto.Em algumas cidades bastará colocar a digital. 


Demos adeus às urnas que desapareciam misteriosamente, aos votos mentirosos anotados pelos mesários e aos grandes almoços oferecidos aos eleitores em galpões improvisados. Tudo melhorou, ficou mais prático e rápido. Aquelas eleições em que os resultados duravam uma semana para sair, se foram também. O rádio no pé do ouvido foi substituído por boletins pregados nas portas dos locais de votação.


Os comícios, em palanques de madeira, deram lugar às carreatas que passam voando por nossas casas, numa explosão de foguetes e gritaria de desocupados contratados para gritar e agitar bandeiras.

Ninguém mais sabe que partidos se coligaram com o seu.Tudo virou um emaranhado de siglas impossíveis de se decifrar.

Em Campo Maior, com esse afastamento do prefeito, foi como jogar mais gasolina na fogueira que arde. O pão doce, enquanto isso, continua lá; esperando pelas moscas de sempre. Salve-se quem puder!


Sergio Emiliano.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

FESTEJOS DE SANTO ANTONIO

Sérgio Emiliano
A Praça Bona Primo aguarda ansiosa a chegada dos Festejos. Daqui a poucos dias a Prefeitura fará a convocação dos barraqueiros para uma reunião no Teatro dos Estudantes.
Durante todo o ano que passou, dividiu sua solidão noturna com uma corja de “malas” que insiste em macular sua eterna aura de pacata, rodeada de casarões cheios de histórias e mistérios.
A Praça Bona Primo é o útero de Campo Maior, o nosso ponto de referência,  a paisagem vista pelos olhos da catedral de Santo Antônio. Suas raras árvores e plantas quase que não conseguem sobreviver após anos e anos de festividades. Mesmo depredada, mijada e pisada até a exaustão, se mantém digna na sua responsabilidade. Volta a sorrir quando nos últimos dias de maio, as primeiras barracas enfiam suas estacas e um vaivém incontrolável de carroças, eletricistas, barraqueiros e vendedores de cerveja se engalfinham naquela enorme arena onde todos defendem, com garras afiadas, seus interesses, seus territórios, seus lucros e calotes supostamente abençoados pelo Santo Padroeiro.
A Paróquia aumenta suas taxas, a Eletrobrás também, a cervejaria nº1 quer impor exclusividade e aos barraqueiros cabe a difícil tarefa de servir a todos e obedecer  calados. Não tem um sindicato, um representante sequer.
A primeira a se instalar, por tradição ou obrigação, é a do leilão. Serve como um cofre abençoado. A do Chico Nunes é enorme, mas o seu capote tem um preço inacessível aos pobres mortais. Lá, os políticos corruptos se confraternizam num banquete de proporções bíblicas. A barraca Eldorado da Santa já faz parte do passado, assim como aquele seu banheiro quebra-galho. O certo é que a magia dessa minicidade, que sobrevive por apenas alguns dias, é contagiante.
O ponto alto continua sendo a procissão do “pau” do Santo casamenteiro onde tudo é grandioso. Os padres com seus paramentos de gala, abrem alas para uma multidão de solteironas, turistas e os filhos da terra que sempre retornam carregados de saudades. Os fiéis se espremem nas ruas estreitas e chegando na praça se libertam gritando: - “Viva Santo Antônio, viva Santo Antônio”! Milhares deles emocionados batem palmas, fazem promessas, acreditam que suas duras vidas ganharão um novo rumo, lembram de seus familiares que já morreram, sorriem de emoção.
Alguns raros e solitários balões sobem aos céus levando notícias daqui de baixo aos anjos distraídos. Chega o tão esperado momento dos fogos coloridos e foguetes ameaçadores. Seria o ponto alto da festa? Todos de cabeça para cima exclamam: -“Ohoooo!! Uma densa nuvem cinza e silenciosa anuncia que os Festejos estão oficialmente começados.
Na praça, disputamos lugar para sentar, reencontramos amigos de longas datas vestidos nas suas melhores roupas, caminhamos ao redor da barraca do leilão sem horas para voltar. Ficamos com água na boca olhando as maçãs do amor, o frito crocante de tripa, as laranjas cheias d´água expostas num minúsculo tabuleiro. Por outro lado, viramos a cara quando nos oferecem aquelas batatas fritas encharcadas de óleo saturado, espetinhos de carne de pescoço e crepes, muitos crepes.
Por entre as folhas dos altos coqueiros vemos a luminosidade da roda-gigante enferrujada que gira sem parar. É o atrativo maior do parque de procedência duvidosa que se instala milagrosamente entre a Igreja do Rosário e a caixa d´água.
Pena que a barba da velha desapareceu, assim como os gomos de cana enfiados em palitos.
Incrivelmente há espaço para todos. Do mais rico ao mais pobre todo mundo ouve o mesmo som da banda ruim que toca, o farfalhar dos sapatos pelo calçamento, a máquina barulhenta de vender sorvetes artificiais, o choro das crianças implorando por aquelas bolas enormes e o som característico dos cascos vazios sendo guardados nos engradados.
Até a falida Rua Santo Antônio ganha um movimento extra no seu último cabaré. Raparigas de tudo quanto é canto dão o ar de sua graça para faturar um pouquinho, principalmente na noite dos vaqueiros. Afinal, tudo não se resume numa grande festa religiosa e pagã?
Como justificar a heresia daqueles filhinhos de papai com o som do carro ligado no volume máximo em frente à casa do Bispo? Como conciliar bondade, perdão com a rapidez dos ladrões que assaltam nossas carteiras?
Não dá para negar que no final das contas todos saem ganhando. A Igreja com suas taxas e leilões que varam a madrugada, o comércio em geral, a prostituição, as promessas dos políticos em eterna campanha, a Prefeitura e seus impostos e você que gastou muito e sorri de satisfação esperando o próximo ano.
 Mas, o melhor da festa é quando, às cinco da manhã, a banda toca no adro da Igreja. Imperdível  seria uma palavra pequena para traduzir. Logo depois o sol nasce, as manhãs de junho são sempre frias e paira um silêncio quebrado apenas pelas vassouras das varredeiras que limpam a praça para mais um dia onde tudo se repetirá.
Chega o caminhão da cerveja, passa a carroça vendendo carvão, beatas vestidas de branco caminham apressadas para a missa, barraqueiros ressacados reclamam dos freezers velhos que não gelam, bêbados vagam perdidos, o caminhão da limpeza recolhe montanhas de lixo e do chão sobe aquele cheiro de cerveja quente derramada. À noite, teremos a novena onde entoaremos nostálgicos, um hino belo, que de tão muito belo nos faz sempre chorar. “Santo Antônio aparecido/estendei o vosso olhar/sobre este torrão querido/sobre nós e nosso lar”
Que bom estarmos vivos para viver a cada ano essa grande festa. Santo Antônio é milagreiro, Santo Antônio é festeiro, Santo Antônio é nosso! Nesse ano fica mais uma vez combinado: a gente se encontra por lá, com direito a Chiclete.

Sergio.

domingo, 15 de abril de 2012

MAIS UMA DO SÉRGIO EMILIANO

Sou louco por crônicas. Entre a notícia e a literatura, essa variável dos textos narrativos dão um ar de osculta e confidências. E, quando o cronista consegue captar detalhes mínimos de algo que nos passou imperceptível, aí sua capacidade ganha ares de reflexão profunda.
Sou fã incondicional dos escritos do Sérgio Emiliano e sempre que o mesmo tem alguma coisa produzida tenho a felicidade de poder compartilhar.
E gosto de compartilhar com todos os que leem diariamente o nosso blog.

CASAMENTO NO INTERIOR
Sérgio Emiliano
Fui convidado para um casamento no interior. De presente, levei um faqueiro debaixo do braço e estranhei o fato de ter ido. Não costumo ir nessas festas mas, era um casal tão feliz e humilde que não pude resistir.
A casa estava toda preparada. O quintal estava varrido; do alpendre pendiam alguns balões e um freezer velho fazia barulho gelando a cerveja.
O padre aguardava a entrada da noiva que apareceu com o rosto coberto por um véu, uma espécie de tule, que sempre voava quando ela soprava por causa do calor. Ia lá na frente e voltava, repousando na sua face maquiada. O noivo estava com o olho roxo, pois quando foi
descarregar a cerveja do caminhão, um engradado acertou-lhe em cheio. Nada que impedisse as famosas juras de amor.
Várias mesas estavam espalhadas por debaixo das árvores. De vez em quando caía um umbu maduro e eu, calado, torcia para que caísse na testa de uma comadre que falava sem parar.
Era muita comida. Tachos enormes de porco cozido, galinha, carneiro e salada de batata inglesa com abacaxi. Uma senhora com um pano de prato ficava espantando as moscas e gritava para um tal de “Zé” tirar a leitoa que assava no forno de lenha.
Todos estavam felizes e mais convidados chegavam de motos, cavalos e caminhão. A cerveja espumava, mas logo foi ficando cada vez mais gelada. Uma banda tocava forró, depois forró e depois mais forró.
A melhor mesa foi dada ao padre, aos padrinhos e ao fazendeiro rico vizinho.
O chão havia sido bem molhado e uma poeira ainda surgia dos pés que dançavam numa energia sem fim. De vez em quando eu levava um susto, pois os gatos passavam por debaixo da mesa e esfregavam o rabo nas nossas pernas. Os foguetes explodiam e os cachorros sumiam. O pobre de um papagaio estava em estado de choque.
Não vi frescuras, fofocas e brigas. Todos estavam felizes. O casal realmente se amava, e a mãe da noiva era de uma simplicidade que me comovia. Tão cansada e tão satisfeita.
Fui embora quando o sol já se escondia e o último som que ouvi foi dos capotes espalhados por toda parte. “sô fraco, sô fraco, sô fraco, sô fraco, sô fraco, sô fraco...”.