Os números do FUNDEB em Campo Maior são expressivos e inquietantes. Em 2025, o município recebeu R$ 70.531.823,11, com meses que ultrapassaram a marca dos R$ 10 milhões, como fevereiro (R$ 11.659.803,04) e março (R$ 10.788.400,27). Diante de valores tão elevados, qualquer discurso de falta de recursos soa frágil e pouco convincente.
Mesmo com esse volume financeiro, os problemas estruturais da educação persistem, indicando desperdício e prioridades distorcidas. Com mais de setenta milhões de reais, seria possível promover avanços reais na valorização dos profissionais, na infraestrutura escolar e na qualidade do ensino. A distância entre o dinheiro recebido e os resultados percebidos escancara falhas graves na gestão.
Nesse cenário, a postura do Conselho Municipal do FUNDEB é preocupante. Criado para fiscalizar, o órgão permanece silencioso diante de cifras milionárias. A ausência de posicionamentos públicos firmes enfraquece o controle social e alimenta a sensação de que ninguém está olhando com rigor para a aplicação desses recursos.
Também chama atenção a inércia do sindicato que representa os trabalhadores em educação. Diante de repasses tão vultosos e de demandas históricas não atendidas, o silêncio é ensurdecedor. Quando milhões circulam sem fiscalização efetiva e sem pressão institucional, quem perde é a escola pública e a sociedade. Em Campo Maior, os valores são claros; a responsabilidade, nem tanto.
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