O MDB de Campo Maior volta ao centro de uma crise política ruidosa e estratégica, marcada por movimentos que soam mais como imposição do que como construção coletiva. A provável entrega do diretório municipal ao filho do prefeito — bolsonarista convicto e figura sem trânsito em campos democráticos — expõe uma guinada que afronta a história do partido e amplia as fissuras internas.
Nos bastidores, é público e notório que o prefeito mantém ligação direta com o senador Ciro Nogueira, o que reforça a desconfiança generalizada sobre qualquer alinhamento real ao governador Rafael Fonteles. Poucos acreditam em voto ou apoio sincero ao projeto estadual petista. Impedido de acessar o PT pela porta da frente, o prefeito adota a velha tática de ocupar espaços pelas beiradas, infiltrando-se em áreas mdbistas, petistas e de aliados, com o objetivo claro de hegemonizar o poder local a qualquer custo.
Nesse cenário, lideranças tradicionais e emergentes do MDB vivem um momento de incerteza. A vereadora Jacinta Bandeira, com o jovem Dr. Ribamar Bandeira iniciando trajetória política; Raimundo Parente, Paiva, Marcos Paulo, Sérgio Pereira, Klinsmann, Júnior Lustosa, Fernando Miranda, Cristina da Saúde e outros quadros históricos observam, com cautela, a descaracterização do partido e a perda de protagonismo coletivo.
Outro ponto sensível é o atropelamento político do líder Humberto Filho, que alimentava a pretensão legítima de compor como vice na chapa de Paulo Martins nas eleições de 2024. Alijado do processo, Humberto foi direto ao afirmar que não acompanha as atuais pretensões do MDB, evidenciando o racha interno. Enquanto isso, o ex-vereador Antônio Wilson Andrade, que ainda manda de fato no partido, perde fôlego após a derrota eleitoral. O resultado é um MDB fragilizado, usado como instrumento de um projeto pessoal que mira, sem disfarces, a ocupação do espaço petista em Campo Maior.
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