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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Datafolha: Aécio perde apoio quando vira vidraça

Aécio Neves (PSDB) faz campanha em Minas Gerais. (Foto: Flavio Tavares/Estadão Conteúdo)Aécio Neves (PSDB) faz campanha em Minas Gerais. (Foto: Flavio Tavares/Estadão Conteúdo)

Pela primeira vez neste segundo turno, Dilma Rousseff aparece numericamente à frente do tucano Aécio Neves em uma pesquisa Datafolha. A candidata à reeleição soma agora 52% dos votos válidos, contra 48% do rival. Apesar da mudança de posição, eles ainda estão tecnicamente empatados pela margem de erro, de dois pontos percentuais.

Mais do que as intenções de voto, porém, o instituto aponta um quadro um pouco mais confortável para a petista nesta reta final: a aprovação do seu governo chegou a 42%, o melhor desempenho desde os protestos de junho de 2013, quando o índice despencou para 30%. A reprovação também caiu para 20%.

A leitura mais óbvia é a seguinte: funcionou o esforço para reforçar o caráter plebiscitário da disputa. A estratégia ficou clara sobretudo no debate de domingo, na TV Record, pautado na comparação de números entre os governos petista e tucano. Dilma usou o espaço para enfatizar os programas populares como o Prouni, o Pronatec e o Minha Casa Minha Vida. E colocou em dúvida o futuro dos bancos públicos, chamados por ela de motores do desenvolvimento, em caso de vitória tucana.

A aprovação ao governo é captada por uma série de manifestações em apoio à petista nesta reta final, após um silêncio quase constrangido de quem, até a data final, se negava a defender publicamente a candidata - entre os quais personalidades como Chico Buarque. Coincide ainda com o aumento da artilharia sobre o candidato tucano, hoje mais rejeitado que a rival (40% contra 39%).

Aécio passara batido nas críticas mais contundentes durante boa parte do primeiro turno em razão do favoritismo de Marina Silva, até então a inimiga declarada do Planalto. Com as críticas centradas nela, o senador mineiro ficava ileso – em um dos debates, foi praticamente ignorado pelas então favoritas.

No início do segundo turno, ele ameaçou abrir vantagem sobre a presidenta após o anúncio do apoio da família de Eduardo Campos e da ex-candidata do PSB. Mas jamais ampliou a distancia para além da margem de erro. Pelo contrário: o potencial de transferência de votos de Marina, até o momento, tem sido menor do que o esperado.

Agora, a cinco dias da eleição, o desempenho de Aécio como governador de Minas, entre 2003 e 2010, é escrutinado pela campanha rival. No debate realizado um dia antes da divulgação da pesquisa, Dilma acusou Aécio de não ter investido o percentual mínimo exigido pela Constituição em Saúde – a compra de vacina para cavalos foi computada como investimento na área, citou a petista – e disse que sua única obra era a construção de um centro administrativo que custou quase o triplo da projeção inicial. As críticas pegaram no contrapé o discurso apresentado pelo tucano até então: a de que, caso eleito, levaria um modelo de gestão eficiente ao plano federal.

Antes, no debate SBT/Radio Jovem Pan/UOL de quinta-feira, o candidato se viu obrigado a falar sobre a construção de um aeroporto com dinheiro público em um terreno desapropriado da família. E a se explicar sobre o fato de não ter feito o teste de bafômetro quando parado em uma blitz da Lei Seca no Rio de Janeiro.

A troca de acusações pessoais desgastou a imagem dos dois candidatos, que tiveram de rever a estratégia no duelo seguinte. O fato é que Dilma, mais conhecida e, portanto, com apoio mais cristalizado entre os que já votavam nela, colocou os deslizes do adversário na vitrine e deixou com ele o trabalho de se explicar. Ele optou por chama-la de mentirosa e de promover a mais baixa campanha desde a reabertura democrática.

Dilma recebeu críticas pesadas pelo tom apelativo do discurso, inclusive deste blogueiro, mas de certa forma saía da defensiva sobre o caso Petrobras. Isso em um momento em que o nome do ex-presidente do PSDB, Sergio Guerra, aparecia entre os supostos favorecidos no esquema de propina da estatal.

Era o prenúncio de que as cartas sobre corrupção se anulariam. E que a ampliação da vantagem desenhada pelo candidato tucano após o apoio de Marina começava a arrefecer. Em vez disso, a campanha promete seguir disputada palmo a palmo até domingo. Qualquer deslize, a partir de agora, pode ser definitivo. Esta eleição, está bem claro, será decidida pelo voto da rejeição.
Crédito da matéria: br.noticias.yahoo.com/
 

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O que Aécio não diz sobre o aeroporto de R$ 14 mi em área de familiar

Jornal GGN - Aécio Neves (PSDB) ganhou a primeira bordoada da Folha de S. Paulo enquanto candidato a presidente no domingo (20). Na edição dessa segunda-feira (21), o periódico destina uma página inteira às explicações do tucano sobre a denúncia envolvendo a construção de um aeroporto de pequeno porte na cidade mineira de Cláudio. A obra é da época em que o Estado era comandado pelo presidenciável. Quase R$ 14 milhões foram gastos pelo poder público no equipamento localizado em terreno pertencente ao tio-avô de Aécio, Múcio Guimarães Tolentino.
Segundo revelou a Folha, são familiares de Aécio quem, na prática, comandam o entra e sai no aeroporto ainda não regularizado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). O jornal da família Frias publicou uma segunda reportagem com a versão do candidato (“Aeroporto não beneficiou familiares, diz Aécio”), e proveu espaço extra para algo difícil de um alvo de reportagem escandalosa conseguir sem ter de recorrer à Justiça: a publicação da nota de esclarecimento de Aécio na íntegra.
Segundo a assessoria do mineiro, a reportagem-denúncia da Folha (“Governo de Minas fez aeroporto em terra de tio de Aécio”) contém “equívocos” dignos de lamentação e reparo. Mas a explicação de Aécio também. A começar pelo fato de o tucano afirmar que não houve, em seu governo, a construção de "um novo aeroporto na cidade de Cláudio". "Como parte do programa Pro-Aéreo, o governo de Minas investiu em melhorias das condições da pista de pouso já existente no local", diz a nota.
Ao contrário disso, há evidências de que o que se deu, na verdade, foi a construção de um aeroporto num município de 25 mil habitantes, que hoje é utilizado para pouso de aviões particulares e eventos de aeromodelismo (veja vídeo). Um dos índícios é o edital do Departamento de Obras Públicas (Deop) de Minas Gerais, que aponta que a licitação aberta pelo Estado mineiro tinha como finalidade a “construção do aeroporto de Cláudio”. A publicação da homologação aconteceu em 2008:
Publicação do Diário do Comércio, de janeiro de 2009, afirma que o Deop havia autorizado, na época, “o início das obras de reforma e melhoramentos em oito aeroportos do interior do Estado, além do início da construção do terminal aeroportuário de Claúdio”. No total, R$ 70 milhões em investimentos foram anunciados pelo governo de Minas à imprensa.
“Em Cláudio está prevista a construção total do aeroporto, com pista de mil metros por 30 de largura, taxi way, estacionamento de aeronaves, terminal de passageiros, equipamentos para operação 24 horas e alambrado cercando a área patrimonial. Na pista poderão pousar aeronaves com capacidade para transportar até 50 passageiros”, diz o jornal. O veículo também publicou mais detalhes sobre o Pro-Aéreo (leia a íntegra aqui).
O Google Street View também fornece registro de área próxima ao aeroporto, que data de 2011, onde havia sido instalado um painel publicitário (já em ruínas) noticiando o investimento. A obra, de acordo com a Folha, foi concluída em 2010, mas nunca foi inaugurada. Aécio não comentou os motivos.
Segundo a assessoria do tucano, a manchete de capa da Folha comete um erro ao afirmar que o terreno do aeroporto é de um parente de Aécio. "Não foi feita nenhuma obra na fazenda de familiares”. A área foi desapropriada antes pelo Estado. Inclusive, "o antigo proprietário da área não concordou com a desapropriação e contesta suas bases na justiça. Até hoje ele não recebeu nenhum centavo”. O valor da indenização pago em conta judicial ao tio-avô de Aécio pela desapropriação gira em torno de R$ 1 milhão, sustenta o jornal. A família de Aécio tenta, pelas vias legais, um valor maior. Esse pagamento, na visão do grupo de Aécio, entretanto, não configura nenhum “favorecimento” aos membros da Família Neves.
Aécio ainda reforça que o investimento no aeroporto faz parte do pacote de melhorias em outros equipamentos do tipo espalhados por Minas Gerais, o chamado Pro-Aéro. Segundo o tucano, o aeroporto de Cláudio foi obra da gestão do avô Tancredo Neves, em 1983. O pedido para regularização junto à Anac foi enviado ainda em 2011. A Agência afirma que faltam documentos.
Sem comentários
Aécio também não rebateu a Folha no tocante às chaves do aeroporto. Segundo o jornal, um repórter foi enviado à Prefeitura de Cláudio, com a identidade profissional em segredo, alegando que gostaria de utilizar o equipamento. Soube pelo chefe de gabinete do Paço, José Vicente de Barros, que os interessados no aeroporto precisavam se reportar à Fernando Tolentino, filho de Múcio. O primo de Aécio disse à Folha, por sua vez, que o presidenciável sempre usa a pista de pouso quando visita a cidade onde passou a infância. Aécio não entrou em detalhes sobre o assunto.
O candidato ainda afirmou que o local do aeroporto foi escolhido por critérios técnicos, jogando a responsabilidade, indiretamente, sobre o primeiro escalão de seu antigo governo. Mas não entrou no mérito de o equipamento ter sido fixado em uma cidade que fica a poucos quilômetros de dois outros municípios populosos e com aeroportos também reformados pelo Estado: Divinópolis e Oliveira.
O candidato à Presidência também destacou que vários outros aeroportos de pequeno e médio porte receberam investimentos do governo estadual, mas tangenciou o fato de, aparentemente, ser prática de longa data a instalação desse tipo de aparelho, de uso quase que privado, nas proximidades de terras pertencentes a políticos poderosos.
É o caso das incontáveis fazendas - uma delas, a Veredão, com pista própria de pouso - do empresário Newton Cardoso (PMDB), ex-deputado federal e governador de Minas entre 1987 e 1991. 
O também ex-governador mineiro Helio Garcia, que assumiu o Palácio da Liberdade pela primeira vez em 1987, em substituição a Tancredo Neves, possui patrimônio com pelo menos sete fazendas interligadas (alvo de disputa entre os herdeiros), sendo uma conhecida, a Fazenda Santa Clara, em Santo Antônio do Amparo. O município sedia o Aeroporto Julio Garcia. O espaço também é utilizado para shows de aeromodelismo, alguns patrocinados pela Prefeitura em época de festividades.
No caso da cidade de Cláudio, o aeroporto fica a 6 quilômetros da Fazenda da Mata, propriedade da família de Aécio, e à distância ainda mais inferior da Fazenda Santa Izabel, do tio-avô do presidenciável. Mata, segundo a assessoria do postulante à Presidência, está no espólio de Risoleta Neves, avó de Aécio, e pertence, portanto, aos três filhos dela.