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segunda-feira, 23 de março de 2026

Avanço histórico: lei fortalece povos de matrizes africanas e marca vitória contra a intolerância religiosa



          Em um cenário ainda marcado por preconceitos e desafios históricos, uma importante conquista traz esperança e reafirma a força da resistência cultural no Brasil. A AMPMA Brasil manifestou publicamente seu agradecimento pela aprovação de um projeto de lei voltado à valorização e proteção das comunidades tradicionais de matrizes africanas.
       A iniciativa, considerada um marco para os povos de terreiro, representa mais do que um avanço jurídico: simboliza o reconhecimento de uma luta ancestral, construída ao longo de gerações que resistiram à marginalização, à invisibilidade e à intolerância religiosa.
        Segundo a articulação, a caminhada dessas comunidades sempre foi permeada por desafios, ataques e discriminações. Ainda assim, a fé, a ancestralidade e a resistência têm sido pilares fundamentais na manutenção de suas tradições e identidades culturais. Nesse contexto, cada conquista legal ganha um significado coletivo profundo, funcionando como um passo firme rumo a uma sociedade mais justa e respeitosa.
       O projeto aprovado demonstra sensibilidade política e compromisso com a diversidade cultural brasileira. Ao reconhecer e valorizar as práticas, saberes e territórios dos povos de matrizes africanas, a legislação contribui para combater o racismo religioso — uma realidade ainda presente em diversas regiões do país.
          A AMPMA Brasil reforça que ações como essa não apenas garantem direitos, mas também fortalecem a autoestima e a dignidade de milhares de pessoas que mantêm viva uma herança cultural essencial para a formação do Brasil.
          Mais do que um gesto institucional, a aprovação da lei é um recado claro: não há espaço para intolerância em uma sociedade que se pretende democrática. E, enquanto houver resistência, haverá também avanço.
          A luta continua — agora mais fortalecida, com a certeza de que dias melhores são construídos com coragem, compromisso e respeito às raízes do povo brasileiro.

domingo, 22 de janeiro de 2023

Ainda sobre preconceito e intolerância religiosa

Terreiro incendiado em Boqueirão do Piauí
Foto Canal 121.com

O tema intolerância religiosa não se esvai apenas no dia 21 de janeiro. Todos os dias são necessárias ações que esclareçam o quanto é necessário o conhecimento para extirparmos do nosso cotidiano tão dolorosa chaga que atinge centenas de pessoas diariamente.

É longa a história de intolerância religiosa aos adeptos das religiões de matriz africana: perseguição, morte, destruição de espaços sagrados, agressão verbal e tantas outras forma de violência. Ela é fruto de uma construção secular baseada em teorias racistas, que associavam os povos africanos a populações amaldiçoadas ou a uma raça inferior.

No século 15, período que marcou o início das grandes navegações europeias, a relação entre os estados daquele continente e a Igreja Católica era intrínseca. Em nome da fé cristã, países ganharam a chancela religiosa para dominar novos territórios e subjugar populações.
Logo, uma série de teorias baseadas na mitologia judaico-cristã foram criadas para justificar a condenação dos povos não europeus, e consequentemente, sua escravização. Entre elas, a mais popular foi a Maldição de Cam.

Nos nossos arredores o preconceito é grande, chegando-se até à destruição de terreiros em nome da fé cristã. Caso bem recente foi no vizinho município de Boqueirão do Piauí, onde uma tenda foi destruída através de um incêndio criminoso, que até hoje as autoridades policiais não conseguiram descobrir seus autores.

Tanto Pai Flávio de Ogum (ex-gerente de combate à intolerância religiosa da Secretaria de Direitos Humanos dfo Piauí), quanto Pai Rondinelle Santos, coordenador da Associação Nacional dos Povos de Matriz Africana no Piauí, a questão da intolerância que cerca os povos do Axé "é pura falta de conhecimento, quem não conhece a Umbanda, o Candomblé, têm tendências a ser intolerantes".