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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Contratação polêmica: Cultura do Piauí chama cantora acusada de apagar orixás e gera revolta



A contratação da cantora Cláudia Leitte pela Secretaria de Cultura do Piauí gerou forte reação dos povos de terreiro e de entidades ligadas às religiões de matriz africana. Em nota de repúdio, lideranças religiosas e movimentos culturais afirmam que a escolha da artista desrespeita princípios de diversidade e inclusão que devem orientar as políticas públicas de cultura.

A polêmica se intensificou após a cantora passar a alterar, em apresentações recentes, trechos de músicas que faziam referência a orixás, substituindo-os por expressões de cunho cristão. Para os povos de terreiro, a mudança não é apenas artística, mas um gesto simbólico que evidencia preconceito religioso e contribui para o apagamento das tradições afro-brasileiras.

Na avaliação dos signatários da nota, o Estado, por ser laico, não pode chancelar práticas que reforcem a intolerância religiosa. Eles ressaltam que comunidades de matriz africana historicamente sofrem discriminação e que decisões institucionais como essa ampliam a sensação de invisibilidade e desrespeito.

Ao final, os povos de terreiro cobram um posicionamento público da Secretaria de Cultura do Piauí e a revisão dos critérios de contratação com recursos públicos. O episódio reacende o debate sobre racismo religioso e o papel do poder público na promoção do respeito à diversidade cultural e religiosa.

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Crescimento das Religiões de Matriz Africana no Brasil: Entre o Reconhecimento e a Intolerância

Cédito da Imagem:
Almapreta Jornalismo

    
O cenário religioso brasileiro tem passado por transformações significativas nas últimas décadas. Dados do Censo de 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que as religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, cresceram de 0,3% para 1% da população brasileira. Embora ainda representem uma minoria, esse aumento indica uma maior visibilidade e reconhecimento dessas tradições religiosas no país.
    No entanto, esse crescimento tem sido acompanhado por um aumento alarmante nos casos de intolerância religiosa. Em 2024, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania registrou 2.472 casos de intolerância religiosa pelo Disque 100, representando um aumento de 66,8% em relação a 2023. As religiões de matriz africana foram as mais afetadas, com praticantes de umbanda e candomblé somando 289 dos casos reportados.
    Especialistas apontam que esse fenômeno está enraizado no racismo estrutural presente na sociedade brasileira. O preconceito contra as religiões afro-brasileiras é alimentado por fatores como a demonização dessas práticas por outras religiões, a falta de conhecimento sobre suas tradições e a associação racista com a população negra.
    Em resposta à crescente violência, líderes religiosos de matriz africana têm buscado maior representatividade política. Um estudo realizado pelo grupo de pesquisa Ginga, da Universidade Federal Fluminense (UFF), identificou 284 candidaturas associadas a crenças de matriz africana nas eleições municipais de 2024. Esse movimento é visto como uma reação à violência enfrentada pelos terreiros e uma forma de lutar por direitos e reconhecimento.
    A situação evidencia a necessidade urgente de políticas públicas que promovam o respeito à diversidade religiosa e combatam o racismo religioso. É fundamental que a sociedade brasileira reconheça e valorize as tradições de matriz africana como parte integrante de sua identidade cultural e religiosa.

Movimentações no Piauí: Rota do Axé e Enfrentamento ao Preconceito

    No Piauí, o Povo do Axé tem se mobilizado para promover a valorização e o respeito às religiões de matriz africana. Uma das iniciativas é a criação da "Rota do Axé", um projeto que visa integrar terreiros de candomblé e umbanda ao circuito turístico do estado. A proposta é que esses espaços recebam visitantes interessados em conhecer e vivenciar as tradições afro-brasileiras, fortalecendo economicamente os terreiros e promovendo o combate à intolerância religiosa. Municípios como Teresina, Amarante, Floriano, Campo Maior, Pedro II, Piripiri e Parnaíba estão incluídos no projeto.

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Intolerância e ódio: Babalorixá é baleado após ataque homofóbico e religioso em SP

Aumento dos casos de intolerância religiosa


Na madrugada do último sábado (17), o babalorixá Leandro Teixeira dos Santos, conhecido como Leandro de Oyá, foi vítima de um brutal ataque homofóbico e de intolerância religiosa em Mauá, na Grande São Paulo. O caso foi denunciado nas redes sociais nesta terça-feira (21) pelo também babalorixá Sidnei Barreto Nogueira (@professor.sidnei), que exigiu justiça e chamou atenção para a violência sofrida por praticantes de religiões de matriz africana.

Leandro voltava a pé de um rito de candomblé, ainda vestido com roupas brancas, quando foi abordado por um homem que o insultou repetidamente com ofensas homofóbicas. O agressor, de 27 anos, voltou para casa, pegou uma arma de fogo e disparou contra as pernas do religioso, atingindo ambas.

Mesmo ferido, Leandro sobreviveu e passou por cirurgias. Ele segue em recuperação e afirma estar emocionalmente abalado, mas decidido a buscar justiça. “Me sinto extremamente agredido, usurpado dos meus direitos. Só estava com minhas roupas de candomblé”, desabafou.

A Secretaria da Segurança Pública informou que o criminoso foi preso em flagrante e confessou o crime. O caso foi registrado como tentativa de homicídio, com motivação homofóbica e religiosa.

Leandro declarou que acompanhará o processo judicial. “Nunca vamos nos calar. Exú é dono da comunicação, então ele não deixa nos calar”, afirmou, reforçando sua fé e resistência.

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Pai de Santo recusa fazer bruxaria e é assassinado a tiros

Pai de Santo assassinado a tiros

O Pai de Santo João Tadeu da Silva, do Terreiro de Oxossi, na cidade paraense de Tailândia, foi assassinado barbaramente por ter se recusado a fazer um trabalho de bruxaria. 

As informações iniciais revelam que Tadeu, de 53 anos, foi morto a tiros após se recusar a realizar um ‘trabalho’ espiritual solicitado pelo assassino. Testemunhas relatam que horas antes do crime, o suspeito procurou Tadeu, solicitou seus serviços, mas recebeu uma negativa. Uma discussão acalorada seguiu-se, culminando na promessa do agressor de voltar para vingar-se.

Na fatídica madrugada, o suspeito cumpriu sua ameaça, chamando Tadeu na frente do terreiro. Ao abrir o portão, o ‘pai de santo’ foi alvejado com cerca de cinco tiros, um deles atingindo o tórax. Apesar de tentar buscar refúgio dentro do terreiro, Tadeu não resistiu aos ferimentos e veio a óbito. O agressor fugiu rapidamente de moto após o crime.

Os moradores, despertados pelos disparos, encontraram o líder espiritual sem vida. Apesar do chamado ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), Tadeu não resistiu até a chegada do socorro.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Vamos falar em preconceito religioso?



Você é daquelas pessoas que fala o que vem à boca, sem se preocupar com o que está dizendo? E o que faz quando sua fala é puro preconceito? Pede desculpas ou simplesmente apaga o post?

Somos bombardeados diariamente por várias formas de preconceito e o preconceito religioso é o mais agressivo de todos eles. Não somos educados a encarar as religiões como algo normal na vida de qualquer ser humano. Sempre cremos que somente a nossa é a correta, sem desvios e as demais são invencionices do demônio.

E quando são religiões de matriz africana, qual a nossa posição com o preconceito religioso, a intolerância ao que não conheço?

Deixo aqui algumas matérias que vão ajudar você a ter um comportamento decente quando se deparar com questões de intolerância religiosa, de racismo religioso...


Revista Carta Capital - traz matéria bem interessante sobre as origens da intolerância religiosa.

A história da intolerância religiosa no Brasil se confunde com a própria fundação do país. Embora fossem flagrantes os interesses imperiais de dominar e explorar o Novo Mundo, no discurso as motivações eram das mais nobres. Para os portugueses, as navegações se tratavam de uma missão salvadora, que cumpria a tarefa suprema do homem branco, assim destinada por Deus: juntar todos os homens numa só cristandade.

TvBrasil - combater o racismo é combater a intolerância religiosa

Neste domingo (21) é o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A data tem o objetivo de chamar a atenção para a necessidade de se combater o racismo religioso – que ocorre principalmente contra as religiões de matriz africana. 





segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Prefeito Bolsonarista diz que povo do Axé tem pacto com o demônio e causa protestos da sociedade

Ildo Gaúcho
Imagem Facebook

A imprensa nacional deu destaque nesta semana a um absurdo caso de intolerância religiosa praticado pelo prefeito da cidade natal de Bolsonaro: Glicério, em São Paulo. Ildo Gaúcho, que é do PSDB, ao publicar um artigo em que diz que "macumbeiros têm pacto com o demônio". Por conta da publicação, Ildo enfrenta uma Comissão Parlamentar de Inquérito, onde poderá perder o mandato.

A cidade, que fica a mais de 400 km da capital, São Paulo, ficou conhecida nacionalmente por ser a cidade do ex-presidente Bolsonaro. 

Seus 4.000 habitantes foram surpreendidos com as declarações do prefeito, que em seguida à pressão da sociedade, apagou a postagem, e publicou nota de esclarecimento afirmando não ter tido a intenção de agredir a quem quer que seja.

A postagem inicial de Ildo Gaúcho contava com outras ofensas aos praticantes de religiões de matriz africana, como “vagabundos do diabo”, “vão queimar no fogo do inferno” e “vocês são vazios de Deus no coração porque quem habita na sua casa e na sua vida é o diabo, o capeta (sic)”. Ele disse ainda que nunca viu “macumbeiro fazer o bem”.

Pelo código penal brasileiro, “escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”, tem pena de detenção de um mês a um ano e pagamento de multa. “Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à violência”. Ainda pelo código penal, penas de “detenção” são cumpridas desde o início no regime aberto, inadmitindo cumprimento no regime fechado. 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Justiça condena evangélico por racismo religioso


A Justiça paulista condenou, após quatro anos, o evangélico Adriano Cássio Bordin por racismo religioso. O homem de 42 anos, em 2019 invadiu um terreiro de candomblé e fez todo tipo de ofensa ao presente no recinto. Adriano afirmava que os membros da 
Axé Egbe Oia Bale eram de satanás, enquanto ele congregava e era de Deus. Além das ameças, o homem condenado agrediu uma mulher que estava presente no centro.

O agressor recorreu da Sentença, porém a 12ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de São Paulo manteve a sentença. Adriano foi condenado a 1 ano e quyatro meses de pena em regime semiaberto e ainda terá que pagar uma indenização de R$ 1.500,00 à mulher pelas agressões físicas sofridas.


segunda-feira, 17 de julho de 2023

Intolerância religiosa dentro de escola é inadmissível

Com o aumento do discurso de ódio tão bem propagado nos últimos anos, temos visto que a intolerância religiosa contra praticantes de religiões de matriz africana tem sido o alvo preferencial, principalmente daqueles que se dizem "evangélicos". E quando essa turma tem algum tipo de poder, o massacre toma proporções ainda maiores.

Incito você a ler a matéria abaixo, do site G1 de Rondônia, para tomar consciência de até que ponto chegamos. Uma escola deve ter o condão de aperfeiçoar a educação através do debate e reconhecimento de que somos um Estado laico e multicultural, incluindo-se, aí, as questões religiosas e sua multiplicidade de formas como são desenvolvidas.

Mãe denuncia funcionárias de escola por intolerância religiosa em RO: ‘chamaram minha filha de macumbeirinha’

Entendo a escola como um espaço de exercício da democracia e um espaço de segurança absoluta, onde todos devem ser tratados com igualdade, independentemente de suas particularidades econômicas, sociais, étnicas e religiosas. Mas quando esses pilares não são observados e que ferem mortalmente a formação de uma criança, deve ser crime inafiançável.

Precisamos frequentemente analisar como estamos recebendo tantas informações e de que forma elas interferem em nosso cotidiano enquanto pessoas sociáveis e enquanto profissionais, principalmente educadores. Como os discursos de ódio de cunho religioso-conservador têm afetado as nossas vidas e as nossas vivências.


 

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Intolerância religiosa aumenta no Brasil aponta relatório

Mãe Maria Pereira em foto por Luciano Klaus
70 anos de Umbanda
Continuamos a falar sobre intolerância religiosa por crermos ser um tema que deve ser debatido à exaustão, vez envolver uma quantidade significativa de pessoas, especialmente aos adeptos das religiões de Matriz Africana.

O 2º Relatório sobre Intolerância Religiosa: Brasil, América Latina e Caribe, organizado pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas e pelo Observatório das Liberdades Religiosas com apoio da Representação da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no Brasil, apontou um aumento dos casos de intolerância religiosa no país nos últimos anos. O levantamento foi divulgado no sábado (21.jan.2023) como parte do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Os dados do estudo indicam que as religiões de matriz africana, mesmo sendo uma minoria, são as mais atingidas pela intolerância.

É necessário, assim, que se tenha o conhecimento necessário para o entendimento da importância e o significado da Umbanda, do Candomblé, dentre outras, para que atos de violência verificados pela intolerância não sejam algo frequente.

O relatório pode ser visualizado aqui.

domingo, 22 de janeiro de 2023

Ainda sobre preconceito e intolerância religiosa

Terreiro incendiado em Boqueirão do Piauí
Foto Canal 121.com

O tema intolerância religiosa não se esvai apenas no dia 21 de janeiro. Todos os dias são necessárias ações que esclareçam o quanto é necessário o conhecimento para extirparmos do nosso cotidiano tão dolorosa chaga que atinge centenas de pessoas diariamente.

É longa a história de intolerância religiosa aos adeptos das religiões de matriz africana: perseguição, morte, destruição de espaços sagrados, agressão verbal e tantas outras forma de violência. Ela é fruto de uma construção secular baseada em teorias racistas, que associavam os povos africanos a populações amaldiçoadas ou a uma raça inferior.

No século 15, período que marcou o início das grandes navegações europeias, a relação entre os estados daquele continente e a Igreja Católica era intrínseca. Em nome da fé cristã, países ganharam a chancela religiosa para dominar novos territórios e subjugar populações.
Logo, uma série de teorias baseadas na mitologia judaico-cristã foram criadas para justificar a condenação dos povos não europeus, e consequentemente, sua escravização. Entre elas, a mais popular foi a Maldição de Cam.

Nos nossos arredores o preconceito é grande, chegando-se até à destruição de terreiros em nome da fé cristã. Caso bem recente foi no vizinho município de Boqueirão do Piauí, onde uma tenda foi destruída através de um incêndio criminoso, que até hoje as autoridades policiais não conseguiram descobrir seus autores.

Tanto Pai Flávio de Ogum (ex-gerente de combate à intolerância religiosa da Secretaria de Direitos Humanos dfo Piauí), quanto Pai Rondinelle Santos, coordenador da Associação Nacional dos Povos de Matriz Africana no Piauí, a questão da intolerância que cerca os povos do Axé "é pura falta de conhecimento, quem não conhece a Umbanda, o Candomblé, têm tendências a ser intolerantes".  

 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Bruno Gagliasso é vítima de intolerância religiosa

 

Bruno Gagliasso é vítima de intolerância religiosa por falar em Orixás

Quem disse que a intolerância religiosa e o preconceito atinge apenas as camadas mais populares da população? Os famosos, que têm milhões de seguidores nas redes soiais também não estão imunes à manifestações de ódio por conta de professarem religiões de matrizes africanas.

Bruno Gagliasso é uma dessas vítimas. Depois de postar uma foto com a legenda "Aqui é corpo fechado. Exu! Oxóssi! Axé!", uma avalanche de comentários de cunho preconceituoso encheu as redes sociais do ator.

Chamando os Orixás de "diabo" e que o artista queria aparecer, foram as manifestações que dão o tom do tamanho do preconceito de muitas pessoas que, ao desconhecerem a realidade e a teologia das Religiões de Matrizes Africanas, desferem o histórico preconceito embutido em nossa sociedade.

Mais a resposta foi imediata. Bruno recebeu muitos comentários de apoio de outros artista e de centenas de seguidores da suas redes sociais. Muitos saudaram o ator com o "Axé", cumprimento que quer dizer "assim seja", "a paz é contigo" ou "paz e bem", a despeito dos cumprimentos de adeptos de religiões que se dizem cristãs.

 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Instituído o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações de Candomblé

 O Presidente Lula sancionou no dia de ontem (5/jan) a Lei 14.519 que cria o Dia Nacional das Tradições das Raízes Africanas e Nações de Candomblé, assegurando, assim, um desejo dos adeptos de Religiões de Matrizes Africanas, pelo reconhecimento do Estado Brasileiro da importância das tradições que marcam a ancestralidade dos Povos do Axé.

A data será comemorada anualmente no dia 21 de março.











segunda-feira, 17 de maio de 2021

'CHUTA QUE É MACUMBA!': ORIGEM DA EXPRESSÃO E POR QUE ELA É CRIME

Macumba (Fonte: Wikipedia/Reprodução)

Uma frase de deboche, "chuta que é macumba!", muitas vezes é falada pelas pessoas em tom de brincadeira sem atentar para o fato de que estão sendo extremamente preconceituosas e intolerantes com as religiões de origem africana, em especial o Candomblé e a Umbanda.

Atribuído de forma pejorativa às duas religiões, o termo "macumba" é na verdade uma árvore africana e também o nome de um instrumento musical utilizado nas cerimônias de religiões afro-brasileiras, uma espécie de reco-reco. Isso significa que, descontado o preconceito, macumbeiro é o percussionista que toca esse instrumento.

O que é popularmente chamado de macumba são as manifestações dessas religiões que ocorrem fora dos templos: os chamados "despachos". Oferendas para o orixá Exu colocadas nas encruzilhadas, esses bens materiais ofertados são considerados como magia negra para prejudicar pessoas, mas é uma prática desestimulada por ambas as religiões.

As manifestações preconceituosas entre religiões são comuns no mundo todo, onde pessoas involuídas tentam impingir o seu deus ou deuses aos de outras pessoas. Só que, ao fazê-lo, estão infringindo uma lei, no caso a de nº 9459 de 13 de maio de 1997, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.

De acordo com o artigo 1º da referida lei, serão punidos "os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional". Nesse caso, aquele que praticar, induzir ou incitar esse tipo de discriminação ou preconceito está sujeito a pena de reclusão de um a três anos e multa.


quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Intolerância religiosa: nos dias atuais; no Brasil; na Lei

A intolerância religiosa é o desrespeito ao direito das pessoas de manterem as suas crenças religiosas. Podemos considerar como atos intolerantes as ofensas pessoais por conta da religião ou as ofensas contra liturgias, cultos e outras religiões. Ações desse tipo, em suas formas mais graves, podem resultar em violência, como a- gressões físicas e depredação de templos.

Boa parte dos que praticam atos ofensivos e intolerantes é composta por pessoas de maiorias religiosas e por aquelas que carregam interpretações fanáticas sobre seus escritos religiosos. Quando falamos em intolerância religiosa, não estamos falando apenas de agressões físicas e verbais. Também podemos identificar como atos intolerantes

a profanação pública de símbolos religiosos, com o objetivo de afetar pessoas daquela denominação;
a destruição de locais de culto;

a recusa à prestação de serviços nesses locais;

a restrição ao acesso a locais públicos ou coletivos por conta de fatores religiosos.

Lei sobre intolerância religiosa

O artigo 5º da Constituição Federal de 1988 garante que o Estado brasileiro é laico, o que coaduna com o que está expresso na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Já a lei nº 9.459, de 13 de maio de 1997, prevê punição para crimes de discriminação, ofensa e injúria praticados em virtude de raça, cor, etnia, procedência nacional ou religião.

A referida lei prevê punição de um a três anos de reclusão e aplicação de multa para quem praticar ou incitar qualquer ato discriminatório por motivo de, entre outros fatores, prática religiosa. Não há uma lei específica que criminalize apenas a intolerância religiosa, e, apesar das garantias constitucionais e da lei 9459/97, esse tipo de intolerância continua sendo praticado em nosso país.



sábado, 4 de janeiro de 2020

Pastor Crivella persegue religião genuinamente brasileira

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Crivella ataca uma religião genuinamente brasileira

Não desejo fazer nenhum tipo de apologia a qualquer religião ou incitar  uma "guerra santa". Desejo, sim, como cidadão, educador e comunicador, levar a quem acessa o nosso Blog informações que mostrem ao ponto em que chegamos.

Assim como a Igreja Católica faz suas procissões - e como gosto delas - e as Igrejas Evangélicas realizam suas "Marchas para Cristo" -muitas das quais acompanho - creio que os adeptos das Religiões de Matriz Africana também têm direitos em realizarem suas manifestações públicas.

Direitos. Isso que defendo como cidadão. Não é justo querer tornar uma cidade, um estado ou a nação evangélica. Dogmas são inerentes a grupos que compartilham as mesmas ideias. Vive-se em um país livre, plural, mestiço e, portanto, culturalmente esses múltiplos contingentes que formaram o que hoje chamamos Brasil não pode e não deve ser dirigido por dogmas desta ou daquela religião. 

Não podemos, em um país em que sua Carta Magna, no artigo 5º, VI, "estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias". Portanto, somos um país LAICO vislumbrando que cada cidadão/cidadã pode externar suas convicções religiosas - no caso das religiões de Matriz Africana, sua cultura.

No Rio de Janeiro, a tradicional festa da Procissão de Iemanjá foi, pelo segundo ano consecutivo, dificultada pelo prefeito direitista, Marcelo Crivella. Isso porque a prefeitura não emitiu o alvará liberando a realização do cortejo que, há anos, é feito a partir do Mercadão de Madureira, na Zona Norte, em direção à Copacabana, na Zona Sul da capital fluminense. Esse fato foi denunciado pelos organizadores do evento, que decidiram realizar somente um “circuito” no mercado, no dia 28 de dezembro.

Para um líder religioso, cheio de tesão pelo poder político, e submetido a várias denúncias de desvios de dinheiro público,demonstra a mesquinhez dos preceitos religiosos aos quais defende. E, pasmem!!!!! "este não foi o primeiro ataque do prefeito Crivella às manifestações culturais do povo negro. Desde o início de sua gestão, o prefeito, que é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, vem procurando atacar monumentos da cultura afrodescendente na cidade do Rio de Janeiro, como no caso da interdição da Pedra do Sal, um dos maiores patrimônios da cultura africana na capital fluminense. A interdição, realizada em novembro de 2019, fez com que os eventos do Dia de Luta do Povo Negro e de Zumbi dos Palmares fossem cancelados", segundo o Jornal Causa Operária.

Lista o referido jornal que "a direita está fazendo de tudo para perseguir e destruir a cultura, especialmente as manifestações oriundas do povo negro. Bolsonaro e Crivella não apenas promovem ataques diretos à cultura, cortando verbas, como incentivam os ataques por parte de grupos fascistas. Para pôr fim a essa ofensiva, é preciso mobilizar a população para lutar pela derrubada destes governos que já sofrem com grande rejeição".

Assim, estarei sempre usando esse espaço para denunciar decomo se quer destruir parte significativa da nossa cultura, num verdadeiro atentado às nossas tradições,além de submeter o Candomblé, a Umbanda, à situações de humilhação e desprezo. 

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Religiões afro-brasileiras sofrem com a violência e intolerância


Discriminação e preconceito com candomblé e umbanda são históricos no Brasil, mas registros de ataques têm aumentado nos últimos anos. Avanço dos evangélicos neopentecostais preocupa adeptos.

Na manhã deste 2 de fevereiro, milhares de pessoas vão estar dando as boas-vindas aos primeiros raios de sol nas praias de todo o litoral brasileiro. A Festa da Rainha do Mar, celebração em homenagem à divindade do candomblé Iemanjá, é uma tradição de vários municípios brasileiros.
"É mais do que uma festa, é mais do que uma festa do folclore. E, para as pessoas que creem, é uma festa que tem importância religiosa, simbólica e de obrigação", diz Marcelo Nascimento Bernardo da Cunha, diretor do Museu Afro-Brasil, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
"Não é raro nestas festas ter grupos neopentecostais pregando, demonizando esta festa, dizendo que é um lugar do pecado", frisa Cunha, acrescentando que esse tipo de distúrbio já é antigo. "É o de sempre. No século 19 já existiam esses ataques", lamenta.
Naquela época, o próprio Estado oprimia a cultura trazida pelos escravos vindos da África. "Eram política e cultura forjadas pelo Estado. Os terreiros eram controlados. Foi o Estado que tornou algo natural que esses lugares fossem atacados", afirma.
Diariamente, vê-se na imprensa casos de intolerância religiosa, algumas manifestações chegam até mesmo à violência física. Isso traz uma preocupação muito grande para os adeptos das religiões de matriz africana e requer de toda a sociedade grande mobilização para que se estanque esse tipo de violência.
A Agência Brasil traz interessante matéria sobre o assunto.

domingo, 27 de janeiro de 2019

Denúncias de ataques a religiões de matriz africana sobem 47% no país

                         Presidente do Movimento Umbanda do Amanhã, Marco Antônio Pinho Xavier (no centro) já registrou mais de 30 boletins de ocorrência relacionados a intolerância religiosa: “Recebo muito xingamento, ameaça de morte” Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo

RIO — Armados, seis homens acabam com uma cerimônia de saudação a Oxalá em Camaçari (BA). Enquanto roubam as vítimas, agridem verbalmente os presentes, adeptos do candomblé, associando a religião a demônios. O babalorixá Rychelmy Esutobi, líder do local, é espancado.

O Globo traz matéria bem interessante sobre esse tema que não nos quer calar. Por que líderes Umbandistas ou de religiões de matriz africana são tão perseguido?

"O caso, ocorrido no último dia 13, é um exemplo da violência sofrida por líderes religiosos ligados a matrizes africanas no Brasil, como o candomblé e a umbanda.

— É um momento de muita dor e reflexão. A gente ver o nosso sagrado ser profanado e ser agredido nos dói muito, mas também nos fortalece — afirmou o babalorixá Rychelmy em vídeo postado em uma rede social.

Nos últimos anos, os ataques contra os seguidores dessas religiões aumentaram. Segundo dados do Disque 100, canal do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos que concentra denúncias de discriminação e violação de direitos, foram feitas 213 notificações de intolerância religiosa a matrizes africanas, de janeiro a novembro de 2018. Os dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.

O número é 47% maior do que o registrado em todo o ano de 2017, quando foram recebidas 145 denúncias. Se em 2014 elas correspondiam a 15% do total de denúncias, hoje representam 59% do número total de reclamações".

quarta-feira, 25 de março de 2015

Mulher destrói imagem de Nossa Senhora

mulher destruindo imagem sacra belo oriente
José Dias Sorriso/Portal Rádio Livre
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BELO ORIENTE – A imagem sacra à frente da igreja matriz de Nossa Senhora da Piedade, no centro do município, começou a ser restaurada nesta quarta-feira, 25. O trabalho de reparação é feito por voluntários, informou a igreja. Na terça-feira, um ato inusitado provocou a indignação de populares na cidade: com uma enxada, uma mulher de 48 anos tentou destruir a representação de 2 metros de altura inspirada na escultura Pietá, de Michelangelo. A imagem sofreu vários danos até que a mulher fosse contida.

O caso ocorreu na manhã de terça-feira, por volta das 10h30. A Polícia Militar foi acionada e a dona de casa foi flagrada desferindo golpes de enxada na imagem. A enxada foi apreendida e a mulher conduzida à delegacia de polícia, onde assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).

O pároco da igreja, padre Luiz Carlos Macedo, disse ao DIÁRIO DO AÇO que descansava na casa paroquial quando um popular entrou em desespero e contou que alguém destruía a imagem à frente do templo. O religioso correu até a igreja, onde presenciou a cena.

O sacerdote contou que, enquanto desferia os golpes, a mulher conversava com a imagem, a indagava se não iria reagir, e cantava músicas cristãs. “Ela estava muito nervosa”, relatou. A dona de casa não resistiu à ação policial, mas não comentou sobre a motivação de seu estranho comportamento.
“Houve uma comoção na cidade muito grande. A imagem não tem valor material elevado, mas para nós tem representação e sentimento. Há um sentimento religioso muito grande e não há dinheiro que pague por isso”, desabafou o padre.

O caso teve grande repercussão nas redes sociais. No canal do DIÁRIO DO AÇO no Facebook, pessoas expressaram indignação e repudiaram a atitude da dona de casa. “Vi muitos evangélicos não concordando com a atitude dela. Estou aqui há 20 anos e sempre tivemos uma convivência harmoniosa entre as religiões. É um caso isolado de fanatismo religioso na cidade, que lamentamos”, disse o padre



sexta-feira, 20 de junho de 2014

Juristas criam grupo multirreligioso para combater a intolerância


A ideia surgiu por conta da ação que tenta retirar 16 vídeos considerados ofensivos contra religiões afro-brasileiras
por Leiliane Roberta Lopes


Juristas criam grupo multireligioso para combater a intolerância  
Juristas criam grupo multirreligioso para combater a intolerância

Um grupo de juristas de diversas religiões foi criado para combater a intolerância religiosa. Integrantes da Igreja Católica, Umbanda, Candomblé, Budismo, Islamismo e Judaísmo se reuniram em um templo de candomblé na Zona Norte do Rio de Janeiro na última segunda-feira (16) para dar início aos trabalhos.

A ideia de criar um grupo de juristas multirreligiosos surgiu por conta da polêmica criada pela decisão do juiz Eugênio Rosa, da Justiça Federal, que afirmou em sentença que umbanda e candomblé não são religiões.

Apesar de ter voltado atrás de sua sentença a respeito do que é religião, o magistrado levantou outra discussão por ter negado a retirada de 16 vídeos do Youtube que são considerados ofensivos contra religiões afro-brasileiras.

A decisão foi cancelada através de uma liminar que resolveu obrigar o Google a retirar os vídeos do ar sob pena de pagamento de multa no valor de R$50 mil diários em caso de descumprimento.

Com a criação desse grupo de juristas, casos como esse e outros relacionados a intolerância religiosa estarão sendo analisados, assim como as decisões junto ao Judiciário.A próxima etapa do grupo recém criado é tentar encontrar representantes dos evangélicos, de acordo com o jornal O Globo os procurados pelo juristas não responderam positivamente em relação a esse encontro.

O interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos, tenta debater com lideranças evangélicas, principalmente de igrejas neopentecostais, já que muitos dos vídeos que estão no processo contra o Google são dessas denominações.

“Com o grupo, começaremos a monitorar outras agressões e casos de preconceito que possam surgir. Finalmente, poderemos agir de forma unida”, disse Ivanir.

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