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Fotos crédito: Redes Sociais A política de Campo Maior começa a esquentar — e as conversas de bastidores já apontam para uma possível mudanç...

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domingo, 15 de dezembro de 2024

E agora, general?

O mal por si se destrói 

    É realmente surpreendente que um general, figura tão austera e erudita, com décadas de estudo em ética, dignidade e respeito à democracia, tenha se envolvido em algo tão repugnante quanto uma tentativa de golpe de Estado. Afinal, quem nunca, em meio ao tédio de uma carreira pautada pelo serviço à pátria, resolveu brincar de subverter a ordem constitucional? A prisão do General Braga Netto pela Polícia Federal, longe de ser um escândalo, é quase um mal-entendido, pois sabemos que homens de sua estirpe são infalíveis representantes da moral e dos bons costumes.
    Certamente, a culpa não é dele, mas de nós, que não compreendemos o contexto. Talvez seja só uma lição prática de como "proteger a democracia" requer... bem, um pouquinho de autoritarismo aqui e ali. E quem somos nós, pobres mortais sem as insígnias de um general, para questionar suas interpretações do que é certo ou errado?
    Que o general tenha a oportunidade de refletir sobre suas ações em um local reservado, como uma cela, é apenas mais um ato altruísta de alguém que, com certeza, está sacrificando sua liberdade em nome de um bem maior. Resta-nos agradecer por essa nova lição de cidadania e continuar confiando cegamente nas figuras que, com o poder da farda, sempre souberam o que é melhor para todos nós.
    Inimaginável tal conduta. Inimaginável que o assunto mais comentado no final de semana tenha sido a prisão de um general, que agora deverá prestar contas dos atos feitos e dos que faria de mal ao povo brasileiro.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Ser professor no país que prefere prender a educar jovens:

professora_alunos_081012Há um certo medo carregado de inexplicável rancor de muitos adultos em relação aos jovens: eles são alienados, irresponsáveis, atrevidos, dispersos, inquietos, barulhentos, superficiais, desrespeitosos, entre tantos outros adjetivos. No entanto, um simples olhar mais detido sobre esses adjetivos e fica claro que não são características, mas sintomas de uma juventude cada vez mais desamparada pelos adultos. Pais que não educam, escolas que não formam, mercado que explora, governo que não integra, religião que ilude, violência que coopta e destrói. Como é duro ser jovem em um país no qual os velhos não aceitam a jornada dupla de cuidar da própria vida e da vida deles.
Há tantos professores que são grandes mestres na arte de ouvir e falar com jovens. Há tantos outros que não falam e há uma incômoda maioria que não ouve. O espaço público da escola raramente se torna espaço democrático de acolhimento do jovem como igual. O que se consegue é no grito ou no braço. Espaço que deveria ser de palavras em festa e que se torna ringue de fúria e mágoa. Os lares, tantos e tanto, tornaram-se aquários de seres com as bocas em movimento, mas sem diálogo, muito mais um ambiente de fuga  do que  de encontro. A rua, as esquinas, os postos de gasolina, os grupos, as tribos, as turmas, os bandos, as gangues,  o lugar comum de reconhecimento, de pertencimento negado pelo mundo de muitos adultos atarefados e entediados.
Não é fácil ser professor em uma sociedade que vê o jovem como oportunidade de negócio ou  desperdício de energia, como máquina de sucesso e resultado ou como ameaça e perigo para as pessoas “de bem”.  Negam ao jovem suas inquietudes e inseguranças, sua imaturidade e falta de referencias e atribuem a eles a responsabilidade por aquilo que não é desprezo e rejeição, mas falta. Simplesmente falta.
Sei que a réplica a esse discurso são os casos de jovens violentos , sádicos mesmo, em sua sanha de destruição e morte. Sei que a réplica a esse discurso são as estatísticas de roubo, estupro e morte envolvendo jovens e que algo precisa ser feito. Concordo com o “algo precisa ser feito”.  Precisamos de mais professores que ouçam e deixem falar. Precisamos de mais pais carinhosos e presentes. Precisamos de mais Estado atuante com acolhimento social, cultural, esportivo, educacional. Precisamos de mais religião compreensiva que punidora. Precisamos demais de tudo isso. Para não sermos mais um país que prefere prender a cuidar de seus jovens.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Médico preso por só bater ponto fazia campanha contra o “Mais Médicos”

cartao
Mais uma denúncia, desta vez resultando em prisão em flagrante, sobre um médico que só comparecia ao posto público de saúde onde “trabalhava” apenas para bater o ponto.

O Dr. Jetson Luís Franceschi chegava às sete da manhã, estacionava seu BMW, junto da Unidade Básica de Saúde do Bairro Faculdade, em Cascavel (PR).  batia o ponto e saía para atender em sua clínica particular. Perto de dez da amanhã, voltava ao posto, passava algum tempo e saía.

Não fez isso eventualmente, para atender algum compromisso, uma emergência, como poderia acontecer e seria até compreensível. Era sistemático, diário. O mês inteiro.

O Dr. Jetson mantém uma página no Facebook. Nela, quase todos os dias, posta fotos e textos atacando o “Mais Médicos”, o governo e a qualidade dos médicos estrangeiros, em especial os cubanos. O Dr. Jetson pode ser um bom médico e tem o direito, querendo, de ser médico apenas em consultório particular. Mas não tem o direito de ocupar “ausente” um lugar que precisa ser ocupado por alguém que possa estar presente para atender mulheres – e gestantes, ainda por cima. E muito menos de criticar e agredir quem está disposto a fazê-lo.

Menos ainda de, com um caso destes, ajudar a formar na população um conceito sobre os médicos que eles – inclusive a maioria dos que são contra o Mais Médicos – não merecem. O problema da saúde brasileira não é o de médicos “picaretas”. Muito do que dizem os adversários do Mais Médicos sobre precariedades na rede de Saúde é verdade e é um déficit histórico que vai custar a ser resolvido. E um bons caminhos é que haja médicos nas Unidades Básicas de Saúde como aquela em que o Dr. Jetson deixava abandonada.
Por: Fernando Brito
tijolaço.com.br