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terça-feira, 3 de junho de 2025

Desagravo: Contra o Preconceito Religioso em Pedro II – Yemanjá Merece Respeito

Entidades lutam contra o preconceito religioso

    
É inaceitável que, em pleno 2025, manifestações culturais e religiosas continuem sendo alvo de ódio. A instalação da imagem negra de Yemanjá em Pedro II, cidade marcada por raízes quilombolas e diversidade, foi recebida com uma avalanche de ataques preconceituosos nas redes sociais. Comentários ofensivos e ameaças revelam o quanto a intolerância ainda fere a liberdade de crença no Brasil.
    As palavras de Pai Carlos de Xangô ecoam como um grito de resistência: "Yemanjá é paz. É nossa ancestralidade". Os ataques não apenas ferem uma religião, mas atingem o direito de existir das comunidades afro-brasileiras. O Ministério Público do Piauí investiga os responsáveis, como deve ser em um Estado democrático.
    Em contrapartida, o movimento Caminho do Axé respondeu com dignidade, organizando um ato público de afirmação e respeito. Com cânticos, oferendas e união, mostraram que a fé não se cala diante da violência.
      A prefeitura e a Secretaria de Direitos Humanos reafirmaram o compromisso com a liberdade religiosa. A imagem será instalada, e que assim seja: como símbolo de resistência, cultura e justiça. Yemanjá merece seu lugar. E merece respeito.

quinta-feira, 18 de abril de 2024

Yemanjá ganha Monumento na Av. Mal. Castelo Branco em Teresina


Adeptos e simpatizantes do Candomblé, Umbanda e demais Religiões de Matriz Africana homenagearam no último domingo, 14 de abril, a Deusa das Águas. O detalhe considerado importante é que a imagem é de uma Yemanjá negra, bem diferente do 
 que as pessoas estão acostumadas a ver.

Representantes de centenas de terreiros e casas de umbanda de Teresina e do interior do Piauí e Maranhão estiveram presentes na solenidade, que marca um diferencial na nova visão que os religiosas desejam que as pessoas tenham e assim se evite toda forma de preconceito contra a religião de matriz africana.

A celebração teve início com a cerimônia do padê de Exú, às 16h, seguida pela consagração da imagem com oferendas e rituais. O evento incluiu uma grandiosa gira e momentos de bênçãos com a presença do terecô do Maranhão.

O antigo monumento de Iemanjá, intitulado “Rainha do Mar”, datado de 1980, retratava uma figura branca, inspirada em Nossa Senhora dos Navegantes. No entanto, em resposta às demandas do Movimento dos Povos de Matriz Africanas, a representação foi atualizada para refletir a imagem de uma mulher negra, em consonância com as raízes afro-brasileiras.

Mas o que mais vem chamando a atenção é que a imagem está sendo alvo de manifestações de intolerância religiosa e racismo. Nas redes sociais, internautas se manifestaram contra a presença do monumento: “Credo, imagem feia”, disse um.

Pai Rondinelli de Oxum, explica que a escultura anterior de Iemanjá havia sido inaugurada em 1980 e, desde então, já foi alvo de diversos tipos de depredações e passou por mais de 10 reformas. 


“Mesmo quando era branca, a imagem era depredada, em qualquer lugar que estivesse. Em 2017, o monumento teve as mãos quebradas, pintaram a imagem e atearam fogo. Esse foi um momento que nos marcou bastante. Chegaram a escrever frases que diziam que a Iemanjá era “coisa do demonio”, além de versos bíblicos. Isso nos deixava muito mal, porque esse é um lugar onde depositamos nossa fé e pedimos proteção”, lembra Rondinelli Santos.



terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Povos de Terreiros querem visibilidade no novo governo do Piauí e entregam Carta-Proposta

Povos de Terreiros entregam Carta-Proposta ao Deputado João de Deus

Lideranças de Religiões de Matriz Africana reuniram-se no dia de ontem (12.12) com o Presidente do Partido dos Trabalhadores - PT, Deputado João de Deus, para apresentarem Carta-Proposta ao próximo Governador do Piauí Rafael Fonteles.

Segundo o Pai Rondinele Santos, Presidente da ANPMA-Piauí, colegiado que representa as casas de Umbanda e Candomblé do Piauí, "muito precisa se fazer para que as religiões de matriz africana tenham a visibilidade como religião. Precisamos de políticas públicas que garantam o livre exercício de culto, as manifestações públicas e um olhar especial para que tem na natureza sua função maior. A intolerância religiosa a que somos submetidos diariamente não pode ter a aquiescência do Estado", pontuou Rondinele.

Para o líder espiritual, a apresentação de uma pauta mínima se faz necessária para "que se possa ter visibilidade". Afirmou, ainda, que já "conseguimos alguns avanços, como o Dia Estadual do Sacerdote de Umbanda, uma Lei que garanta o espaço dos terreiros, mais ainda é muito pouco para tantas décadas de invisibilidade.

Na pauta apresentada pela lideranças da Umbanda e do Candomblé, agendamento de encontro presencial com o futuro governador; criação de um setorial dos Povos Tradicionais no PT Piauí; criação da Superintendência dos Povos Tradicionais dentro de alguma Secretaria Estadual; desenvolvimento de políticas públicas que contemplem o desenvolvimento socioeconômico dos Povos Tradicionais do Piauí.