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segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Prefeito Bolsonarista diz que povo do Axé tem pacto com o demônio e causa protestos da sociedade

Ildo Gaúcho
Imagem Facebook

A imprensa nacional deu destaque nesta semana a um absurdo caso de intolerância religiosa praticado pelo prefeito da cidade natal de Bolsonaro: Glicério, em São Paulo. Ildo Gaúcho, que é do PSDB, ao publicar um artigo em que diz que "macumbeiros têm pacto com o demônio". Por conta da publicação, Ildo enfrenta uma Comissão Parlamentar de Inquérito, onde poderá perder o mandato.

A cidade, que fica a mais de 400 km da capital, São Paulo, ficou conhecida nacionalmente por ser a cidade do ex-presidente Bolsonaro. 

Seus 4.000 habitantes foram surpreendidos com as declarações do prefeito, que em seguida à pressão da sociedade, apagou a postagem, e publicou nota de esclarecimento afirmando não ter tido a intenção de agredir a quem quer que seja.

A postagem inicial de Ildo Gaúcho contava com outras ofensas aos praticantes de religiões de matriz africana, como “vagabundos do diabo”, “vão queimar no fogo do inferno” e “vocês são vazios de Deus no coração porque quem habita na sua casa e na sua vida é o diabo, o capeta (sic)”. Ele disse ainda que nunca viu “macumbeiro fazer o bem”.

Pelo código penal brasileiro, “escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”, tem pena de detenção de um mês a um ano e pagamento de multa. “Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à violência”. Ainda pelo código penal, penas de “detenção” são cumpridas desde o início no regime aberto, inadmitindo cumprimento no regime fechado. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Intolerância religiosa aumenta no Brasil aponta relatório

Mãe Maria Pereira em foto por Luciano Klaus
70 anos de Umbanda
Continuamos a falar sobre intolerância religiosa por crermos ser um tema que deve ser debatido à exaustão, vez envolver uma quantidade significativa de pessoas, especialmente aos adeptos das religiões de Matriz Africana.

O 2º Relatório sobre Intolerância Religiosa: Brasil, América Latina e Caribe, organizado pelo Centro de Articulação de Populações Marginalizadas e pelo Observatório das Liberdades Religiosas com apoio da Representação da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no Brasil, apontou um aumento dos casos de intolerância religiosa no país nos últimos anos. O levantamento foi divulgado no sábado (21.jan.2023) como parte do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Os dados do estudo indicam que as religiões de matriz africana, mesmo sendo uma minoria, são as mais atingidas pela intolerância.

É necessário, assim, que se tenha o conhecimento necessário para o entendimento da importância e o significado da Umbanda, do Candomblé, dentre outras, para que atos de violência verificados pela intolerância não sejam algo frequente.

O relatório pode ser visualizado aqui.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Câmara dos Deputados aprova criação do Dia das Tradições de Matrizes Africanas


 

Dia, após dia, o Povo do Axé vem tendo visibilidade quanto às suas tradições e à importância no processo de formação cultural e religiosa do Brasil. A Câmara dos Deputados, por iniciativa de Projeto de Lei do Deputado Vicentinho (PT-SP). A data escolhida foi o dia 21 de março, que coincide com o marco escolhido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para, anualmente, instalar uma rede intercontinental de conscientização pelo Dia Internacional contra a Discriminação Racial.

Relatora do projeto, a deputada Erika Kokay (PT-DF) afirmou que a criação do Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé vai permitir que o brasileiro resgate a ancestralidade.

Autor da proposta, o deputado Vicentinho destacou que o Brasil celebra diversas datas cristãs e isso o levou a propor a criação de um dia voltado às religiões de matriz africana. “Sou católico, participo da minha comunidade, mas sou um lutador contra todo tipo de preconceito e discriminação, um lutador contra a intolerância religiosa”, declarou.

A Lei será enviada à sanção do Presidente Bolsonaro.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Povos de Terreiros querem visibilidade no novo governo do Piauí e entregam Carta-Proposta

Povos de Terreiros entregam Carta-Proposta ao Deputado João de Deus

Lideranças de Religiões de Matriz Africana reuniram-se no dia de ontem (12.12) com o Presidente do Partido dos Trabalhadores - PT, Deputado João de Deus, para apresentarem Carta-Proposta ao próximo Governador do Piauí Rafael Fonteles.

Segundo o Pai Rondinele Santos, Presidente da ANPMA-Piauí, colegiado que representa as casas de Umbanda e Candomblé do Piauí, "muito precisa se fazer para que as religiões de matriz africana tenham a visibilidade como religião. Precisamos de políticas públicas que garantam o livre exercício de culto, as manifestações públicas e um olhar especial para que tem na natureza sua função maior. A intolerância religiosa a que somos submetidos diariamente não pode ter a aquiescência do Estado", pontuou Rondinele.

Para o líder espiritual, a apresentação de uma pauta mínima se faz necessária para "que se possa ter visibilidade". Afirmou, ainda, que já "conseguimos alguns avanços, como o Dia Estadual do Sacerdote de Umbanda, uma Lei que garanta o espaço dos terreiros, mais ainda é muito pouco para tantas décadas de invisibilidade.

Na pauta apresentada pela lideranças da Umbanda e do Candomblé, agendamento de encontro presencial com o futuro governador; criação de um setorial dos Povos Tradicionais no PT Piauí; criação da Superintendência dos Povos Tradicionais dentro de alguma Secretaria Estadual; desenvolvimento de políticas públicas que contemplem o desenvolvimento socioeconômico dos Povos Tradicionais do Piauí.