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domingo, 17 de maio de 2020

Não haverá ENEM em 2020


Como professor e entusiasta do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio como forma de inclusão de uma gama significativa de estudantes, tenho nos últimos dias buscado informações que possam amenizar o crime que o Ministério da Educação quer fazer com centenas de milhares de estudantes da Escola Pública.

O artigo abaixo, do articulista Caio Magri, publicado no UOL, reflete a minha posição de educador, diante desse desvio de conhecimento do Ministério da Educação com relação ao que realmente acontece na base de milhares de escolas pública brasileiras, especialmente no interior do Piauí.

"Manter o ENEM em 2020 é genocídio educacional de milhares de estudantes pobres que estão nas escolas públicas. Criado em 1998 durante o governo Fernando Henrique Cardoso, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) teve por princípio avaliar anualmente o aprendizado dos alunos do ensino médio em todo o país.

Rogério Magri
Foto UOL
Em 2009, durante a gestão do ministro da Educação Fernando Haddad, no governo Lula, foi introduzido um novo modelo de avaliação, com a proposta de unificar o concurso vestibular das universidades federais brasileiras, e posteriormente utilizado como parâmetro para todas as universidades públicas e gratuitas. Um avanço enorme para reduzir as desigualdades de acesso às universidade públicas.

Neste grave momento, quando as escolas ficarão fechadas por mais de quatro meses, milhões de estudantes não estão acessando as aulas virtuais prometidas pelas autoridades de educação.

A estratégia adotada escancara a desigualdade e as dificuldades enfrentadas pelos estudantes e professores de escolas públicas - acesso limitado à internet, falta de computadores e de espaço em casa, problemas sociais, sobrecarga de trabalho docente e baixa escolaridade dos familiares.

Segundo a pesquisa TIC Domicílios, divulgada em 2019, apenas 44% dos domicílios da zona rural brasileira têm acesso à internet. Na área urbana, o índice é bem mais alto: 70% dos lares estão conectados. O estudo, feito anualmente pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), é um dos principais no país no segmento de acesso a tecnologias.

Mas as diferenças ficam ainda mais evidentes ao se analisar cada classe social: entre os mais ricos (classes A e B), 96,5% das casas têm sinal de internet; entre os mais pobres (classes D e E), 59% não conseguem navegar na rede.

Já não bastam as atitudes do governo Bolsonaro, que propaga mentiras sobre a pandemia flertando com a morte e apostando no caos social, temos agora a insistência criminosa do ministro Weintraub na manutenção o ENEM em 2020. E para isso usa recursos públicos em uma propaganda falsa e enganosa.

Não haverá ENEM, ministro! E é obrigação funcional do MPF, da CGU e do TCU acusá-lo e processá-lo por uso indevido de dinheiro público e obriga-lo a devolver centavo por centavo do gasto com propaganda indevida.

É hora de solidariedade! Solidariedade com os estudantes que não contam com acesso à internet em suas casas para aulas virtuais.
Solidariedade com os estudantes que não tem computadores nem recursos para pagar a internet.

Desobediência civil já!

Boicote o ENEM!"

domingo, 9 de novembro de 2014

O brasileiro criado pela mídia versus o brasileiro real

É lamentável como a mídia - principalmente a comprometida com os grupos perdedores das últimas eleições - vociferam uma nuvem de pessimismo quanto ao Brasil, ao Piauí e às tantas cidades de nosso território onde o PT teve uma estupenda maioria.

Os ditos "paladinos da honestidade e dos bons costumes", sem o menor respeito aos seus leitores, ouvintes e telespectadores, partem numa campanha desenfreada de mentiras, matérias requentadas ou dados deturpados e/ou manipulados, quanto ao que realmente ocorre no Brasil.

Brilhante as informações do jornalista Paulo Nogueira, articulista do site Diário do Centro do Mundo, aqui transcrito: 

"Como é o brasileiro?

Se você se baseia na mídia, é um ser torturado, infeliz, revoltado, pessimista desde o momento em que acorda até a hora em que põe o pijama e vai dormir. Foi este o brasileiro que, em sua campanha, Aécio apresentou aos eleitores. Não apenas ele. Marina, em sua louca cavalgada quando foi ficando para trás nas pesquisas, esgrimiu também este brasileiro. Vamos chamá-lo de BI, Brasileiro Imaginário. Lembremos também as vociferações de candidatos como Pastor Everaldo e Levi Fidelix em nome do BI.

Agora, feita esta introdução, entremos na vida como ele é.

Acaba de sair uma pesquisa internacional feita por um dos institutos mais consagrados do mundo, o Pew Research Center. O Pew entrevistou 44 000 pessoas em 48 países para aferir o grau de otimismo delas. Em apenas cinco países, sete entre dez entrevistados se declararam otimistas com o futuro. O Brasil está nesta lista dourada. Os outros quatro: Vietnã, China, Chile e Bangladesh.

Compare com os resultados obtidos em grandes países às voltas com uma crise econômica que vai se prolongando muito além do que se imaginava. Essa crise, aliás, vem sendo negada ou amplamente subestimada por comentaristas econômicos, e Aécio também fingiu que ela não existia.

Na França, apenas 13% dos ouvidos estão otimistas. Nos Estados Unidos, 30%.  No Vietnã, o campeão em otimismo, essa taxa é de 94%. O Pew perguntou também aos entrevistados quais são os motivos de preocupação. A desigualdade social, o que não surpreende, foi citada com frequência.

Voltemos ao Brasil: alguém ouviu Aécio falar em desigualdade? Ou a mídia? Aécio e a mídia falaram para o BI, o Brasileiro Imaginário. Mas quem foi às urnas foi o brasileiro real. Deu no que deu."