sábado, 13 de agosto de 2011

GÊNEROS TEXTUAIS E TIPOS TEXTUAIS – DIFERENÇAS IMPORTANTES

OFICINA DE REDAÇÃO NA U. E. 13 DE MARÇO - JUN/JUL 2011
Estamos muito próximos das provas do ENEM, por isso, não podemos perder mais nenhum minuto do nosso precioso tempo. A revisão dos assuntos que compõem a grade de competências e habilidades, é fator fundamental para que você “se dê bem” nas provas.
Segundo Simon Schwartzman,  a prova do Enem avalia, sobretudo, habilidades gerais dos alunos que estão concluindo o ensino médio. Ao invés de cobrar conteúdos específicos, como no tradicional vestibular, o exame analisa a capacidade de leitura, interpretação de texto e a aplicação de conceitos dos estudantes.
A redação  quase sempre é o bicho-papão de grande parte dos alunos do ensino médio. Na hora da prova vem aquele suor frio e a insegurança. Mas nada como um bom exercício para espantar esse fantasma.
Para início de conversa, vamos definir o que é gênero textual e tipo textual.
A comunicação – forma como construímos nosso pensamento – é algo social, portanto, traz em si toda uma carga emocional, psicológica, familiar, moral, religiosa, dentre outros fatores que influenciam a interação entre os indivíduos. Portanto, gênero textual é todo e qualquer texto produzido pelos usuários de uma língua. A materialização através do texto. Estes são de possibilidades quase que ilimitados.
Se os gêneros textuais são quase que ilimitados, os tipos textuais – aqui, no estudo mais recente da produção de textos -  são apenas seis: narrativo, descritivo, dissertativo, expositivo, explicativo e injuntivo.
Vamos explicar um pouco de cada um.
No texto narrativo, os fatos são vividos por personagens em determinado lugar e tempo. Além disso, há um narrador que assume duas perspectivas básicas diante do texto agindo como uma personagem ou como um mero observador. Texto repleto de verbos de ação1, e normalmente no passado. 
Veja o exemplo abaixo no texto de Millôr Fernandes:
O Coveiro
Ele foi cavando, cavando, cavando, pois sua profissão - coveiro - era cavar. Mas, de repente, na distração do ofício que amava, percebeu que cavara demais. Tentou sair da cova e não conseguiu. Levantou o olhar para cima e viu que sozinho não conseguiria sair. Gritou. Ninguém atendeu. Gritou mais forte. Ninguém veio. Enrouqueceu de gritar, cansou de esbravejar, desistiu com a noite. Sentou-se no fundo da cova, desesperado. A noite chegou, subiu, fez-se o silêncio das horas tardias. Bateu o frio da madrugada e, na noite escura, não se ouviu um som humano, embora o cemitério estivesse cheio de pipilos e coaxares naturais dos matos. Só pouco depois da meia-noite é que vieram uns passos. Deitado no fundo da cova o coveiro gritou. Os passos se aproximaram. Uma cabeça ébria apareceu lá em cima, perguntou o que havia: O que é que há?
O coveiro então gritou, desesperado: Tire-me daqui, por favor. Estou com um frio terrível! Mas, coitado! - condoeu-se o bêbado - Tem toda razão de estar com frio. Alguém tirou a terra de cima de você, meu pobre mortinho! E, pegando a pá, encheu-a e pôs-se a cobri-lo cuidadosamente.
Reflexão: Nos momentos graves é preciso verificar muito bem para quem se apela.

Viu? Fácil. Basta você ficar atento a esses pequenos detalhes.

O texto descritivo tem como objetivo oferecer ao leitor /ouvinte a oportunidade de visualizar o cenário onde uma ação se desenvolve e as personagens que dela participam.
Os advérbios de lugar são elementos essenciais para a coesão e a coerência do texto de base descritiva, permitindo a localização espacial dos cenários e personagens descritos. Ele detém-se sobre objetos e seres considerados na sua simultaneidade, e os tempos verbais mais frequentes são o presente do indicativo no comentário e o pretérito imperfeito do indicativo no relato.
Da abóbada celeste suspensa sob as cascatas taciturnas da cidade, a tarde adormecia vagarosamente sob a alegria serena das sombras das árvores. No céu surdo, flutuavam os cardumes alvos de nuvens, lampejando nas águas melancólicas do rio, que escorria sumtuosamente, cortando aquele luxuriante horizonte.
Ao longe, ao longo da vertente, o doce cantar dos pássaros rasgava o silêncio irreal. O Paço, suavemente encaixilhado no cimo da colina, erguia-se extasiadamente, espreitando, indignado, o balançar lascivo das folhas dos ramos. A veemência da torre completava a paisagem, repleta de luzes e brilhos que, mirando nos vidros das janelas, refletiam o tom crepuscular do sol.

Dissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto, discorrer sobre ele. Assim, o texto dissertativo pertence ao grupo dos textos expositivos, juntamente com o texto de apresentação científica, o relatório, o texto didático, o artigo enciclopédico. Em princípio, o texto dissertativo não está preocupado com a persuasão e sim, com a transmissão de conhecimento, sendo, portanto, um texto informativo.
Os textos argumentativos, ao contrário, têm por finalidade principal persuadir o leitor sobre o ponto de vista do autor a respeito do assunto. Quando o texto, além de explicar, também persuade o interlocutor e modifica seu comportamento, temos um texto dissertativo-argumentativo.
Veja o exemplo da dissertação abaixo:
A Amazônia em perigo
A internacionalização da Amazônia ganha destaque nas redes de televisão, nos jornais, sites, nas universidades e escolas norte-americanas. O interesse em "proteger" essa área, objetivando garantir o bem-estar da humanidade, conta com o apoio de algumas nações mais ricas, que se consideram superiores para desrespeitar os direitos de outros povos.
De certo modo, a Amazônia, há algum tempo, vem sendo internacionalizada de forma lenta e gradual. Vale dizer: embora o povo brasileiro tenha em sua floresta plantas e sementes as quais servem para a fabricação de cosméticos e outros produtos caríssimos da indústria farmacêutica, ele não pode fazer uso deles com fins lucrativos pelo fato de já terem sido patenteados pelas nações mais desenvolvidas tecnologicamente.
O Brasil poderia extrair, de modo a não destruir a região, várias riquezas desse solo. De acordo com recente pesquisa divulgada pela Veja, na Amazônia existe, além das plantas, cujo uso medicinal é potencialmente significativo, uma grande reserva de água doce. Há também petróleo e diversos recursos minerais.
Assim, alguns países mais ricos, percebendo o grande potencial dessa área, insistem na hipótese de torná-la patrimônio do mundo. Percebe-se, na verdade, um interesse econômico na floresta pois, além de outras riquezas, a reserva de água doce, a maior do mundo, será suficiente para gerar, em um futuro próximo, muitos lucros uma vez que, nos últimos anos, a escassez de água aumentou e a tendência é aumentar ainda mais.
Ademais, o pretexto para internacionalizar a região sustenta-se no fato de o governo brasileiro não proteger de forma devida um patrimônio de tamanha grandeza. Com efeito, a falta de fiscalização por parte dos órgãos responsáveis está permitindo a atuação ilegal de madeireiros e produtores rurais. Soma-se a isso não haver suficientes incentivos na área tecnológica e científica, impossibilitando os pesquisadores descobrirem mais rapidamente o uso eficaz de certas plantas.
Entretanto, o atual presidente da República e sua equipe de governo estão começando a centrar sua atenção na Amazônia visando preservá-la. É válido lembrar a realização de constantes mapeamentos aéreos com a intenção de focalizar queimadas e áreas de desmatamentos. Além disso, os empréstimos aos agricultores são liberados apenas se estes apresentarem um projeto de preservação ambiental.
A Amazônia é uma região de valor imensurável e, devido a isso, desperta a cobiça de outras nações. Desse modo, caberá aos governantes brasileiros investirem no local, com o intuito de não permitir sua dominação. Afinal, os EUA deixaram evidente no conflito com o Iraque e na invasão ao Afeganistão a ideia de que, para garantirem seus interesses, são capazes de desrespeitar os direitos dos povos mais frágeis."
Por Daiane de Azevedo Fuhrmann, em 2003.
Fonte: http://alquimiadaspalavrassm.blogspot.com/2010/02/exemplo-de-texto-dissertativo.html
Na próxima postagem vamos no deter nesse tipo de texto. Seus fundamentos e como podemos produzi-lo sem nenhuma forma de atropelo.
O texto informativo, tem a função de informar o leitor a respeito de algo ou alguém, é o texto de uma notícia de jornal, de revista, folhetos informativos, propagandas. Uso da função referencial da linguagem, 3ª pessoa do singular.
O texto injuntivo indica como realizar uma ação. É também utilizado para predizer acontecimentos e comportamentos. Utiliza linguagem objetiva e simples. Os verbos são, na sua maioria, empregados no modo imperativo. Há também o uso do futuro do presente. Ex: Receita de um bolo e manuais.
Pronto, agora que você revisou os tipos de textos e já sabe a diferença entre tipo de texto e gênero textual, nossa próxima postagem vai tratar sobre o texto dissertativo-argumentativo.
Não esquente a cabeça. Tudo é uma questão de saber estudar.

ATENÇÃO!!!!
Qualquer dúvida sobre esta postagem ou sobre quaisquer dúvidas que você tenha quanto à área da Linguagem, códigos e suas tecnologias, pode nos perguntar. Após a postagem tem o campo dos comentários. Utilize-o e nós enviaremos a resposta.

Nenhum comentário: