Postagem em destaque

BASTIDORES DA POLÍTICA DE CAMPO MAIOR: WELLINGTON SENA PODE PERDER A PRESIDÊNCIA DA CÂMARA?

Fotos crédito: Redes Sociais A política de Campo Maior começa a esquentar — e as conversas de bastidores já apontam para uma possível mudanç...

Mostrando postagens com marcador Matriz Africana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Matriz Africana. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Por que o Rio Grande do Sul é o estado com mais adeptos de religiões de matriz africana?



    Um dado do Censo 2022 surpreendeu muita gente: o Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com o maior percentual de praticantes de religiões de matriz africana. São mais de 306 mil pessoas — o que representa 3,2% da população gaúcha. Mas por que justamente um estado do Sul, historicamente associado à imigração europeia, lidera esse ranking?
    
A resposta envolve história, resistência e, principalmente, consciência.
  Especialistas explicam que o RS tem se destacado por promover ações consistentes contra o racismo religioso e por valorizar as expressões culturais afro-brasileiras. Lideranças de terreiros, movimentos sociais e instituições civis atuam juntas para defender a liberdade de culto e combater o preconceito contra religiões como o Candomblé e a Umbanda.
    Outro ponto importante é o reconhecimento do passado escravocrata do estado. Ao encarar essa herança histórica de forma crítica, parte da sociedade gaúcha passou a apoiar políticas de valorização da cultura afro e ações de reparação simbólica.
    Além disso, os terreiros no RS são bastante organizados. Muitos estão reunidos em federações, desenvolvem projetos sociais e mantêm diálogo com o poder público. Essa visibilidade favorece não apenas a preservação das tradições, mas também fortalece a identidade dos praticantes.
    Em um país onde o preconceito contra religiões de matriz africana ainda é alarmante, o avanço do Rio Grande do Sul representa um exemplo de resistência e transformação. Mais do que estatística, esses dados revelam um processo de afirmação cultural e espiritual que precisa ser reconhecido e respeitado.

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Crescimento das Religiões de Matriz Africana no Brasil: Entre o Reconhecimento e a Intolerância

Cédito da Imagem:
Almapreta Jornalismo

    
O cenário religioso brasileiro tem passado por transformações significativas nas últimas décadas. Dados do Censo de 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que as religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, cresceram de 0,3% para 1% da população brasileira. Embora ainda representem uma minoria, esse aumento indica uma maior visibilidade e reconhecimento dessas tradições religiosas no país.
    No entanto, esse crescimento tem sido acompanhado por um aumento alarmante nos casos de intolerância religiosa. Em 2024, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania registrou 2.472 casos de intolerância religiosa pelo Disque 100, representando um aumento de 66,8% em relação a 2023. As religiões de matriz africana foram as mais afetadas, com praticantes de umbanda e candomblé somando 289 dos casos reportados.
    Especialistas apontam que esse fenômeno está enraizado no racismo estrutural presente na sociedade brasileira. O preconceito contra as religiões afro-brasileiras é alimentado por fatores como a demonização dessas práticas por outras religiões, a falta de conhecimento sobre suas tradições e a associação racista com a população negra.
    Em resposta à crescente violência, líderes religiosos de matriz africana têm buscado maior representatividade política. Um estudo realizado pelo grupo de pesquisa Ginga, da Universidade Federal Fluminense (UFF), identificou 284 candidaturas associadas a crenças de matriz africana nas eleições municipais de 2024. Esse movimento é visto como uma reação à violência enfrentada pelos terreiros e uma forma de lutar por direitos e reconhecimento.
    A situação evidencia a necessidade urgente de políticas públicas que promovam o respeito à diversidade religiosa e combatam o racismo religioso. É fundamental que a sociedade brasileira reconheça e valorize as tradições de matriz africana como parte integrante de sua identidade cultural e religiosa.

Movimentações no Piauí: Rota do Axé e Enfrentamento ao Preconceito

    No Piauí, o Povo do Axé tem se mobilizado para promover a valorização e o respeito às religiões de matriz africana. Uma das iniciativas é a criação da "Rota do Axé", um projeto que visa integrar terreiros de candomblé e umbanda ao circuito turístico do estado. A proposta é que esses espaços recebam visitantes interessados em conhecer e vivenciar as tradições afro-brasileiras, fortalecendo economicamente os terreiros e promovendo o combate à intolerância religiosa. Municípios como Teresina, Amarante, Floriano, Campo Maior, Pedro II, Piripiri e Parnaíba estão incluídos no projeto.

domingo, 27 de janeiro de 2019

Denúncias de ataques a religiões de matriz africana sobem 47% no país

                         Presidente do Movimento Umbanda do Amanhã, Marco Antônio Pinho Xavier (no centro) já registrou mais de 30 boletins de ocorrência relacionados a intolerância religiosa: “Recebo muito xingamento, ameaça de morte” Foto: Custódio Coimbra / Agência O Globo

RIO — Armados, seis homens acabam com uma cerimônia de saudação a Oxalá em Camaçari (BA). Enquanto roubam as vítimas, agridem verbalmente os presentes, adeptos do candomblé, associando a religião a demônios. O babalorixá Rychelmy Esutobi, líder do local, é espancado.

O Globo traz matéria bem interessante sobre esse tema que não nos quer calar. Por que líderes Umbandistas ou de religiões de matriz africana são tão perseguido?

"O caso, ocorrido no último dia 13, é um exemplo da violência sofrida por líderes religiosos ligados a matrizes africanas no Brasil, como o candomblé e a umbanda.

— É um momento de muita dor e reflexão. A gente ver o nosso sagrado ser profanado e ser agredido nos dói muito, mas também nos fortalece — afirmou o babalorixá Rychelmy em vídeo postado em uma rede social.

Nos últimos anos, os ataques contra os seguidores dessas religiões aumentaram. Segundo dados do Disque 100, canal do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos que concentra denúncias de discriminação e violação de direitos, foram feitas 213 notificações de intolerância religiosa a matrizes africanas, de janeiro a novembro de 2018. Os dados foram obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.

O número é 47% maior do que o registrado em todo o ano de 2017, quando foram recebidas 145 denúncias. Se em 2014 elas correspondiam a 15% do total de denúncias, hoje representam 59% do número total de reclamações".