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sábado, 21 de dezembro de 2019

Formação de professores fica mais longa e mais voltada para prática

sala de aula

A formação dos professores no Brasil vai ficar mais longa e passar a ter maior foco na prática. As medidas estão previstas em resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) homologada pelo Ministério da Educação (MEC). 

A portaria que estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores para a Educação Básica e institui a Base Nacional Comum para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica - (BNC-Formação) foi publicada hoje (20) no Diário Oficial da União

Os cursos de licenciatura, para a formação de professores, passam da atual duração de três para quatro anos, ou 3,2 mil horas. Dessas 800 horas, o equivalente a um quarto do curso, devem ser voltadas para a prática pedagógica. 

A prática pedagógica deve, obrigatoriamente, ser acompanhada por um professor da instituição formadora e por um professor experiente da escola onde o estudante a realiza. 

Apesar da parte da formação dedicada exclusivamente à prática, a resolução estabelece que a prática deve estar presente em todo o percurso formativo do licenciando, “com a participação de toda a equipe docente da instituição formadora, devendo ser desenvolvida em uma progressão que, partindo da familiarização inicial com a atividade docente, conduza, de modo harmônico e coerente, ao estágio supervisionado”. 

A formação dos futuros professores também terá um maior foco na chamada Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que define o mínimo que deverá ser aprendido pelos estudantes de todo o país no ensino infantil, fundamental e médio.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Para que educar para a paz

Vivemos momentos insuportáveis de violência. Para todos os lados que nos voltamos, deparamo-nos com toda espécie de agressão. Trânsito, seio familiar, trabalho e, principalmente, as escolas. Há poucos dias a chacina de Suzano deixou o mundo boquiaberto. O último reduto da paz e da confiança foi invadido pelo ódio e pelo despreparo das instituições escolares em enfrentar tema de importância vital para todos.

Uma educação voltada para acultura da paz já não é sem tempo. Ainda podemos salvar esse espaço importante para o desenvolvimento das pessoas e do Brasil. Ficar de braços cruzados, receosos, esperando que a qualquer momento o mundo desabe sobre a cabeça de todos, parece, não ser uma atitude sensata.

Muitos conceitos sobre educação precisam ser revisto, reconstruídos. A Cultura da Paz deve ocupar espaços significativos nas práticas pedagógicas, no calendário escolar, nas ações governamentais e, principalmente, no seio da família. Não se pode "esperar que o ladrão roube para se fechar a porta".

Educar para a paz passa pelo exemplo de cada um. 

Precisamos, como adultos e educadores, contribuir para uma formação que valorize o respeito, a cidadania, o bem ao próximo. Afinal, as crianças aprendem pelo exemplo. Durante a primeira infância (0-6 anos) o aprendizado acontece essencialmente por imitação: pais que jogam lixo na rua, que gritam, batem e falam palavrões estão educando seus filhos para uma cultura de violência, que hoje predomina no mundo e precisa ser combatida com urgência.

"A educação é um direito de todos e dever do Estado". Não são apenas as letras constitucionais que irão garantir que todos possam ser educados. O engajamento de todos é fator preponderante para garantir uma sociedade em que a violência seja apenas matéria do passado. 

Utopia? Não! Quando todos nós colaboramos  para melhorar o nosso meio, certamente que o sonho se torna realidade. 

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

"Conversa de botequim" é boa para a educação?

Cláudia Costin
Cláudia Costin chefiou a Secretaria de Educação do Rio de Janeiro até 2014
Diante da sistemática propaganda do governo em passar a ideia que tem uma fórmula pronta para melhorar o Ensino Médio, nada melhor do que refletir algumas práticas pedagógicas em voga no sistema educacional, principalmente o público.

Às vezes, pequenas mudanças em nossas práticas podem fazer a diferença. Ficamos atônitos com os elevados índices de alunos que não conseguem assimilar os conteúdos ministrados em sala de aula. Ora, algumas mudanças se fazem necessária, uma vez que em muitos casos, parece-me que vomita-se conteúdos. O blá-blá-blá dominante em nossas práticas diárias, não atraem ou estimulam nossos alunos a consolidarem o conhecimento necessário para o dia-a-dia.

Para Claúdia Costin, ex-diretora do Banco Mundial, "a dinâmica das aulas deveria lembrar mais nossas rodas de conversa do que uma palestra. Nada é mais contrário à nossa cultura fora dos muros da escola do que a forma como damos aula hoje", afirma. O tom 'professoral' pode ser uma das barreiras que dificultam o aprendizado.

Figura importante na educação brasileira, Costin, que atualmente está lecionando em Harvard, diz que precisa-se incorporar as "conversas de botequim", um dos principais traços da nossa cultura que é desconsiderado dentro da sala de aula. "Se fosse pensar num traço cultural que pudesse orientar a nossa maneira de dar aula e repensar o ensino é a conversa de boteco. É curioso: somos um povo que gosta muito de conversar, mas a conversa é reprimida na escola, é vista como algo errado", afirma a educadora. 

Em extensa entrevista ao site BBC Brasil (Escola deveria incorporar 'conversa de boteco', diz educadora) Costin deixa muito claro o desperdício de recursos na capacitação de professores, uma vez que os resultados não têm sido significativos para a urgência do problema.

Por isso, há a necessidade que os condutores da nossa educação pública, sejam pessoas que estejam atualizadas e alinhadas aos inúmeros e graves problemas que afetam nosso sistema educacional. A educação do 'faz de conta', maquiada com programas e projetos que destroem o objetivo do ensino, não pode continuar mais a ser a tônica dos planos de governo, em todas as suas esferas.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

“Precisamos ajudar os professores a mudar de papel”

O nosso blog é um caçador de boas práticas e de notícias alvissareiras. Quando o assunto é educação, somos ávidos em sabermos quais os pensamentos e as ideias que circulam nos meios de comunicação. Eis, aí, uma notícia do Carta Capita para nossa reflexão.

domingo, 1 de junho de 2014

Para a educação não basta só dinheiro

O Plano Nacional de Educação aprovado na quarta-feira à noite pela Câmara dos Deputados deve duplicar os valores a serem investidos no setor nos próximos dez anos no país. Dobrar a verba para a educação em uma década certamente é importante, mas não garante que elevará o desempenho escolar dos estudantes brasileiros. 

Recursos para estabelecer remuneração digna, capaz de atrair profissionais qualificados para as salas de aula, é parte da equação. Mas provavelmente concentrar os esforços somente em aumentos salariais não irá resolver a baixa qualidade do ensino brasileiro. É fundamental desenvolver estratégias pedagógicas e políticas públicas capazes de provocar uma revolução na cultura do ensino.

Melhorando desempenho
Alguns pesquisadores começam a investigar o que faz melhorar o desempenho dos alunos. O estudo “Conhecimento ou Práticas Pedagógicas – Medindo Efeitos da Qualidade dos Professores no Desempenho dos Alunos”, publicado em março deste ano (bitly.com/1jxwcky), contribui para o direcionamento das políticas públicas na área. Usando noções de econometria, os pesquisadores Maurício Fernandes e Claudio Ferraz usaram dados do governo de São Paulo para avaliar as práticas pedagógicas adotadas pelos professores e o domínio dos alunos sobre matérias.

A pesquisa conclui que a qualificação dos professores é importante, mas mais importante ainda são as práticas pedagógicas utilizadas. Os estudantes têm melhor desempenho quando os professores dão tarefas para serem feitas em casa e as corrigem, explicam as matérias até que os alunos tenham entendido o assunto e trazem exemplos práticos para o uso do conhecimento estudado. “Em outras palavras, a seleção e atribuição de professores com alto nível de conhecimento nas disciplinas pode ser inócua, caso não seja acompanhada por outras medidas”, afirmam os pesquisadores.

Segundo eles, talvez, o mais importante “seja identificar as práticas de ensino mais eficazes para cada contexto e treinar os docentes para utilizá-las de maneira adequada e com a frequência necessária”. O estudo sugere ainda que políticas de treinamento de docentes para uso adequado de práticas pedagógicas pode apresentar resultados mais satisfatórios que outras políticas, como redução do tamanho de turmas, inclusão de professores adicionais em salas, ampliação das jornadas escolares. Mais pesquisas que respaldem políticas para a educação são bem vindas.

Educação 2.0
Num momento em que as informações atravessam o mundo na velocidade da luz, a educação precisa mais que dinheiro e práticas pedagógicas eficientes. Cada vez mais será necessário que temas tecnológicos sejam objeto de estudo em salas de aula. Em países desenvolvidos isso está se tornando comum.

O ensino da lógica e de conceitos de programação de computadores começa a ser introduzido em escolas dos Estados Unidos e da Inglaterra de diversas maneiras. Norte americanos e ingleses têm aderido a uma campanha – a “Hour of Code” (em tradução livre “hora de programar”) – que propõe que alunos usem uma hora do dia para estudar programação. Até mesmo conhecimentos que por muitos são considerados áridos – aprender conceitos de lógica e desenvolver aplicativos – podem se tornar interessantes. Encontra-se um bom exemplo com Dan Shapiro, um empreendedor do Vale do Silício que vendeu uma empresa para o Google, tem diversas patentes na área de tecnologia e criou um jogo de tabuleiro para ensinar conceitos de programação para crianças. Outro exemplo são os iD Tech Cam – acampamentos em que crianças aprendem a programar. Em algum momento no futuro, desenvolver códigos pode ser tão útil quanto ser alfabetizado.

Um plano
Primeiro tentar resolver os problemas básicos de desempenho para só então se preocupar em introduzir o ensino de fundamentos de tecnologia pode se mostrar uma estratégia equivocada, perpetuando a distância que já se apresenta em relação a países desenvolvidos. O grande desafio é trabalhar em várias frentes em paralelo: estimular pesquisas sobre desempenho, qualificar professores para implantar estratégias que melhorem o aprendizado e introduzir ferramentas pedagógicas que estimulem o desenvolvimento de uma cultura de inovação.

Crédito da matéria: http://www.gazetadopovo.com.br